Ninguém me pediu para escrever

Ninguém me pediu para escrever. Não houve convite, não houve encomenda, não houve amigo insistindo. Houve um impulso: a vontade de dizer alguma coisa ao mundo mesmo sabendo que o mundo não estava escutando. Começo com mais hesitação do que certeza. Não sei quem vai ler, nem se alguém lerá. Sei apenas que algo precisava sair, uma palavra, uma pergunta, um incômodo. Escrever, aqui, é menos comunicar do que escutar o que pulsa dentro e tentar dar nome ao que ainda não tem nome. Este espaço nasce da solidão pensante. Do desejo de entender o que nos move e o que nos trava, neste mundo que se esconde atrás de telas, rotinas, ruídos. E atrás de silêncios que não são descanso. Quero pensar o que significa ser humano: pensar, sentir, errar, crer, amar, temer. Os temas serão o que aparecer, filosofia, fé, política, ciência, cotidiano. Nada está fora do alcance quando o olhar é honesto. Não é cátedra, é caderno. Um lugar onde as palavras possam respirar, onde o pensar seja uma forma de oração e a dúvida tenha assento ao lado da convicção. Talvez eu fale demais. Talvez me cale por semanas. Se você chegou até aqui, o caderno também é seu. Leia aqui: O que a vida exige, oferece e sussurra