Quem sou

Cresci num quintal que não existia.

O terreno era mangue, presente de um bisavô, e meu pai e minha mãe passaram anos enchendo aquilo de areia, balde por balde, carrinho por carrinho, até virar chão firme. Foi nesse chão, no bairro Grande Vitória, que eu enterrei formiga em caixa de fósforo, atravessei o pé com um prego, aprendi a andar de bicicleta e, por volta dos cinco anos, sentado no muro dos fundos com dor entre os olhos, descobri que existia.

Sou filho de pastor. Comecei a pregar cedo, ainda menino, num tempo em que a igreja funcionava na casa das pessoas e o campo ficava morro acima.

Aos seis ou sete anos eu queria ser executivo, pastor, bombeiro, médico, juiz, gari, cantor e filósofo, tudo ao mesmo tempo. Brincava com a pasta do meu pai, que era pasta de escritório e carregava dentro a Bíblia e a Harpa Cristã. Levei décadas para entender que aquelas duas vocações que eu achava concorrentes estavam guardadas no mesmo objeto.

Depois vieram os desvios. Tentei psicologia, ciências sociais, direito, história. Parei na administração e construí carreira ali. Mais tarde vieram a filosofia, a teologia, o teatro e um mestrado em gestão pública.

Hoje sou servidor público federal.

Sou ministro do Evangelho na Comunidade Evangélica Missão Apostólica Assembleia de Deus, em Cariacica. Prego, ensino e escrevo material para a igreja.

E faço doutorado em Educação na UFSCar, investigando o que os sistemas algorítmicos fazem com a subjetividade de quem estuda e de quem ensina. A tese trata de racionalização, no sentido que Weber deu à palavra, e do que acontece quando o processo se emancipa do propósito. Descobri, ao revisar este arquivo, que escrevi essa frase pela primeira vez em 2013, num texto sobre modelos de gestão, doze anos antes de saber que ela viraria uma tese.

Sou casado e pai de uma filha.

Teixeira Vieira é dos nomes mais comuns que existem. Somos muitos, em muitos lugares, e um autor chamado assim desaparece antes de ser lido. Rizzolli vem da família da minha mãe, gente do norte da Itália que atravessou o oceano e foi parar nas colônias do Espírito Santo. Adotei porque é meu por herança e porque, ao contrário do outro, é meu sozinho.

Escrevo desde 2006. Às vezes parei. Nunca consegui parar por muito tempo.