Tiago Rizzolli

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Reflexões sobre a condição humana, a fé e as estruturas do mundo.

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Educação & Cuidado

E tenho uma novinha

Lembro com clareza do dia em que meu pai chegou em casa com uma bicicleta Monark verde e preta, novinha em folha. Ela era linda, brilhava à luz do sol.…

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23 de outubro de 2006
Filosofia & Teologia

Saber vazio

Há uma inquietação que me acompanha há tempos, uma pergunta que, por teimosia ou necessidade, recuso-me a silenciar. Fomos ensinados que ter dúvidas é um sintoma de fraqueza espiritual. Mas…

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6 de dezembro de 2009
Filosofia & Teologia

O que fica atrás

Passei as últimas semanas relendo textos que escrevi em 2006. São memórias de infância e adolescência, quarenta e poucas, que ficaram guardadas vinte anos sem que eu soubesse dizer por…

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8 de janeiro de 2007
  • Filosofia & Teologia

    Não lembro quem era

    18 de agosto de 2026 / No Comments

    Em 2010 escrevi um texto de despedida. Falava de constelações, de chuva tentando redesenhar traços no chão, de um reencontro futuro. Falava das digitais de amor que alguém tinha deixado impressas na minha pele. Reencontrei esse texto agora, ao revisar os arquivos antigos. A dor daquela época está inteira ali dentro, e era grande. Não lembro para quem escrevi. Não sei se a pessoa morreu ou se apenas foi embora. Hoje dói outra coisa: ter esquecido quem deixou marcas que eu jurei que não sairiam. Guardei o texto. Não guardei a pessoa.

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    Tiago Rizzolli

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    1 de junho de 2010

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    2 de agosto de 2010

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    15 de julho de 2025
  • Artes & Narrativas

    As perdas rimam

    6 de junho de 2026 / No Comments

    Tenho habitado a convicção de que a sinfonia da vida só atinge a sua plenitude porque não hesita em acolher tanto os acordes dissonantes quanto os suaves. É o entrelaçar dessas notas opostas que confere gravidade ao choro de quem sofre e leveza ao riso de quem celebra. Aceitar a autoria dessa composição implica reconhecer que não nos é dado o luxo de escolher apenas os trechos fáceis. Hoje, enquanto a minha pauta toca acordes irremediavelmente tristes, a memória reverbera em uma simetria impressionante. A notícia dolorosa me alcançou pela voz da minha esposa, ao telefone, enquanto eu estava na minha sala de trabalho. Quando a minha outra avó faleceu,…

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    Tiago Rizzolli

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    24 de maio de 2011
  • Artes & Narrativas

    A Casa da Vovó nos anos 1990-2002

    5 de maio de 2026 / No Comments

    Existe um tipo de felicidade que só se reconhece depois. Enquanto está acontecendo, ela não tem nome, é apenas o estado natural das coisas, o ar que se respira sem perceber que é ar. Só mais tarde, quando o tempo a transforma em memória e a memória em saudade, é que ela ganha o seu contorno exato. É só de longe que se vê a forma do que se foi. Meus dias mais felizes foram quando eu ainda não tinha uma imagem ruim do ser humano. Quando acreditava, com aquela crença que não precisa de argumento porque nunca foi testada, que as pessoas são boas. Que o mundo as recebe…

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    Tiago Rizzolli

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    12 de janeiro de 2026
  • Filosofia & Teologia

    O Manifesto do Desencanto Biológico

    27 de abril de 2026 / No Comments

    Não sou velho, mas a juventude incontestável também já me escapou. Aos 41 anos, encontro-me estacionado nesta exata encruzilhada da vida, forçado a refletir logo após sepultar as minhas duas avós: Arlinda, em 2022, e agora, neste recente 15 de abril de 2026, a minha avó Arlete. Curioso notar a poesia fúnebre escondida na fonética. Ambas traziam no nome o princípio do elemento vital, o fôlego inicial, começando com a sílaba “Ar”. E, numa simetria que quase parece um recado do destino, as suas sílabas finais ecoam os dois extremos da nossa existência: o “da” de vida e o “te” de morte. Desde que eu era criança, no meu imaginário,…

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    Tiago Rizzolli

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    27 de fevereiro de 2012

    Uma teoria bonita, porém frágil

    7 de dezembro de 2007

    Mapear as próprias limitações

    18 de novembro de 2009
  • Filosofia & Teologia

    A Sociologia da Despedida: O Luto como Ferramenta de Coesão Social

    20 de abril de 2026 / No Comments

    O dia do velório constitui um rito de passagem solene, no qual a sociedade é confrontada tanto com a inexorabilidade da morte quanto com as tradições que emolduram o luto. Tais práticas, cujas nuances variam profundamente entre diferentes culturas, desempenham um papel estrutural no modo como os indivíduos processam a ruptura e exteriorizam o sofrimento. Para além de propiciar um espaço legitimado para a manifestação da dor, esses rituais atuam ativamente na construção e no fortalecimento da coesão social entre os enlutados. Essas conexões interpessoais revelam-se indispensáveis para o suporte emocional, uma vez que permitem a partilha de experiências e a busca por consolo coletivo diante de uma vivência desestabilizadora.…

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    Tiago Rizzolli

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    Vinte dias

    29 de maio de 2006

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    15 de novembro de 2010

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    12 de abril de 2010
  • Artes & Narrativas

    A Teologia do Portão: A Prece Cruzada e a Solidariedade de Trincheira

    15 de abril de 2026 / No Comments

    O lar, outrora um refúgio seguro de obviedades cotidianas, torna-se um palco estranho e hostil no dia do luto. Dentro de casa, depois que os papéis amarelos são assinados, a burocracia emocional finalmente nos alcança. Minha esposa, numa tentativa terna e inquieta de atenuar o peso esmagador do ambiente, tentou preencher o vazio com o som das pequenas coisas. A morte deixa um eco ensurdecedor nas paredes, e nós tentamos, em vão, abafá-lo com os ruídos da normalidade. Mas o cansaço da alma cobrou o seu preço; ela preferiu se ausentar, recolhendo-se na quietude do quarto para encontrar os seus próprios contornos e processar a dureza do dia. Os meus…

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    Tiago Rizzolli

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    11 de dezembro de 2006
  • Artes & Narrativas

    O Peso do Quase e o José de Arimatéia Moderno: A Burocracia do Fim

    14 de abril de 2026 / No Comments

    Hoje, exatamente hoje, a morte atravessou a minha sala. Meus olhos arderam, as bochechas contorceram-se num reflexo involuntário da alma, e as lágrimas, pesadas, traçaram o caminho inegável da perda. Minha avó cruzou a porta. Passou pelo rio, passou pelo mar. Foi desaguar em um oceano onde o meu alcance humano já não existe. A dor maior, o espinho que fica cravado na garganta, é o peso do “quase”. Eu havia desenhado na mente um roteiro de afeto e redenção: queria pegá-la pelo braço e levá-la a lugares onde os seus pés cansados nunca haviam pisado. Minha intenção era surpreendê-la com algum conforto material, um bom plano de saúde, alguém…

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    Tiago Rizzolli

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    O Oceano e o Iceberg: A Técnica e a Planilha dos Nossos Afetos

    13 de abril de 2026 / No Comments

    A chuva espancava a janela com uma cadência que, de certa forma, emulava o tique-taque inflexível de um relógio. Da minha cadeira, eu observava a coreografia da rua lá embaixo: o fluxo contínuo dos carros, os semáforos alternando as suas cores com uma precisão milimétrica, os guarda-chuvas que desabrochavam quase em uníssono ao primeiro sinal do temporal. A mente, sempre viciada na concretude tátil do mundo, logo sussurrou a palavra mais óbvia e preguiçosa para descrever o cenário: máquinas. É assustadoramente fácil olhar para o nosso tempo e transferir a culpa para o aço, para o silício e para os motores. Crescemos condicionados a acreditar que a tecnologia é apenas…

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    Tiago Rizzolli

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    15 de julho de 2014

    Um erro de tradução

    12 de julho de 2010
  • Educação & Cuidado

    A Arquitetura do Tempo: Vinte Anos na Escada da Memória

    6 de abril de 2026 / No Comments

    Vinte anos. Quando publiquei aquele primeiro texto em abril de 2006, eu mal sabia que estava dando o passo inaugural naquilo que hoje reconheço como a minha própria “Escada Escura”. Ao fechar os olhos e olhar de cima para baixo, vejo que cada degrau dessa descida ininterrupta representou um ano da minha vida. Um ano de caminhada tateante, na tentativa desesperada, e muitas vezes bela, de capturar quem eu sou em meio aos escombros do tempo. Durante duas décadas, este espaço serviu como os meus Cadernos de Memória. Escrevi enquanto observava, pela janela, o mundo lá fora render-se ao tique-taque inflexível das máquinas e à frieza do aço e do…

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    O Teatro das Sombras e a Coragem da Horizontalidade

    2 de abril de 2026 / No Comments

    A pesada porta de madeira cedeu com um rangido arrastado, revelando as entranhas de um teatro abandonado. Eu não fazia ideia de como havia chegado ali, mas o cheiro de poeira suspensa e veludo mofado era inconfundivelmente real. Como de costume, entrei de cabeça baixa. Meus olhos rastreavam o chão, os rodapés e as pontas dos meus próprios sapatos. Era um vício antigo: caminhar encolhido, como se tentar ocupar menos espaço no mundo me garantisse o benefício da invisibilidade. Sentei-me na última fileira, abrigado na poltrona mais escura que encontrei. Foi então que as luzes do palco estalaram, rasgando a penumbra. Lá em cima, sob o foco de uma luz…

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A angústia de ser A angústia de ser
A máquina não precisa do condutor para continuar a A máquina não precisa do condutor para continuar andando....
A nota nunca chega. A nota nunca chega.
Davi foi listando endereços: o céu, o abismo, os c Davi foi listando endereços: o céu, o abismo, os confins do mar, a escuridão que ele imaginava espessa o suficiente para servir de esconderijo. Não era geografia. Era um homem procurando um lugar que estivesse vago, e perdendo a discussão verso após verso, porque a resposta chegava antes dele: ali estás.
Passei anos achando que a pergunta era um itinerár Passei anos achando que a pergunta era um itinerário, que bastava reconstituir a saída e adivinhar a chegada e o meio se explicaria sozinho, como quem acha que entende uma casa olhando a planta. Mas tem uma coisa que não se move e por isso não pode ser rastreada, e não é o mistério que falta informação, é que ela não se aplica: o que apenas é não tem de onde nem tem para onde, está.
Descobri isso tarde, e ainda descubro.
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Sobre mim

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes – Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

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