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O anel de plástico
As idas e vindas da escola Maria Stela de Novaes moldavam-se como um padrão inevitável. Dentre tantos colegas que compartilhavam o trajeto, a Jaque começou a se destacar. Era a terceira série, e nós já nos reuníamos em pequenos “bandos” para ir e voltar da escola. Cada um seguia seu rumo ao final do trajeto, mas até então, caminhávamos juntos. Chegávamos à minha rua, e enquanto eu descia para a Rua da Vitória, em algumas ocasiões, acompanhava Jaqueline até a entrada da sua casa. Nunca conheci seus pais, mas suas histórias e seu jeito nos levavam a imaginar que ela era rica. Hoje, sei que isso era apenas fruto de…
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A paz do Senhor
Era o ano 2000, e eu caminhava pelas ruas que marcavam os limites entre Pedra dos Búzios e Primeiro de Maio. Atravessar aquela ponte a pé, sentir o calor do meio-dia e ser abraçado pelo silêncio das ruas parecia mais um ato corriqueiro. Curvei à direita, passei pela Igreja Batista que repousava à esquerda e segui adiante. Não havia pressa, não havia grandes expectativas, apenas o caminho e o calor, que parecia querer se impregnar no ar e na pele. À frente, um caminhão FENEME descansava, dividindo a rua. Uma senhora dirigiu-se a mim com um cumprimento: “A paz do Senhor.” Respondi de imediato, com a mesma reverência que sua…
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Vinte dias
Era o ano de 2001, e meu pai era responsável por um ponto de pregação em Paul, Vila Velha. Um lugar simples, escondido nos labirintos da periferia. Para chegar àquela casa, passávamos por caminhos que o asfalto jamais tocara. Depois do viaduto principal, virávamos à direita, atravessávamos por baixo de um viaduto mais estreito e seguíamos adiante, em direção a um morro. O carro ficava para trás, pois dali em diante o trajeto pertencia apenas aos pés: uma trilha estreita, margeada pela mata, onde apenas uma pessoa podia passar por vez. Esse caminho era o corredor que nos levava àquele terraço. Eu sempre levava meu violão Giannini série estudante, adquirido…
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Ele já preparou tudo
O templo do Ministério Ide cresceu, ganhou corpo e expressão. Os filhos do pastor Sebastião também cresceram, acompanhando o desenvolvimento daquela obra. Após a morte do meu amigo, o pastor responsável pela igreja que ficava na mesma rua decidiu mudar-se para outro município, um deslocamento motivado pelo impacto do ocorrido. Com isso, a igreja que ele liderava foi fechada, e aquele espaço tornou-se um vazio. Naquela época, meu pai pastoreava uma igreja em Vila Batista, mas o peso do aluguel tornou-se insustentável. Ele buscava em oração e discernimento entender os caminhos que o Senhor desejava que trilhássemos. A saída do pastor da igreja vizinha ao Ministério Ide foi vista por…
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O segundo
Quando nos mudamos de Vitória para Vila Velha em 1996, nossa família foi recebida com cordialidade e respeito pelo pastor João Torres. Ele acolheu meu pai com honras, reconhecendo nele a experiência e o chamado pastoral que carregava. Nomeou meu pai como o “segundo” da igreja, um termo utilizado na época para designar o co-pastor, aquele que estava ao lado do líder principal para apoiar e somar na condução da obra de Deus. A igreja era de cor verde, um templo que abrigava a Assembleia de Deus que, outrora, havia sido uma congregação da Assembleia de Deus em São Torquato. Com o passar do tempo, a congregação foi emancipada, recebendo…
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Adolfina
Era 1999, e eu estava na turma da então 8ª série da EEPG Adolfina Zamprogno. Sentava na frente, ao lado da Simone, uma menina inteligente e de conversa agradável. Havia muitos colegas que marcaram minha vida: Márcio, que até certo ponto era meu “melhor amigo”, morava em Vila Garrido, numa casa à beira do morro, de onde se podia ver uma parte do bairro Pedra dos Búzios. Estive lá uma única vez. Havia também o Wilson, o Alexsandro Melo, o Wadvan, a Tasciana, o Paulo Rogério, o Renan, e outros nomes que o tempo levou. Alexsandro Melo era um menino que se destacava. Ele tocava pandeiro como ninguém, e sua…
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Para Não Esquecer
Há histórias que se costuram com detalhes tão singelos quanto inesquecíveis: um teclado, uma avenida, uma porta que se abria para a ação, bancos de madeira simples, uma menina e sua irmã que amavam as canções da Cassiane. Entre tudo isso, havia o “Hino do Vitória”, que se tornava o centro das celebrações. Naquele cenário, havia também um diácono que tinha um jeito peculiar, quase como um padre, com uma serenidade que parecia marcar sua presença. Ele era uma dessas figuras que, mesmo sem grandes palavras, deixava uma impressão duradoura. E havia o presbítero Paulo, um homem cuja presença era um alicerce na obra de Deus, companheiro fiel de meu…
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Renato
Renato era o nome dele, meu colega de sala na primeira série do primeiro grau. Lembro-me de sua presença infantil, simples, tão parecida com a minha. A infância é um espaço de descobertas, mas também de ilusões, onde acreditamos que a vida é um fio inquebrável, imune às tragédias. Mas, em 1991, essa ilusão se desfez de forma abrupta e dolorosa. Foi em um dia qualquer, em casa, quando ouvi alguém falar, provavelmente minha mãe: “Renato morreu.” A frase, direta e sem alívio, me atingiu com um peso que eu, criança, não sabia carregar. Ele havia sido atropelado. Estava na rua principal do bairro Grande Vitória, pegando “ponga” na traseira…





















