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Outro costume, a mesma procura
Primeiro de Maio, 1996 — Pedra dos Búzios, Vila Velha. Mudamos para Pedra dos Búzios, em Vila Velha, e por alguns dias ficamos sem reunir. Meu pai seguia pastor pela CADEESO, mas já não estávamos no antigo ministério, a Assembleia de Deus no Alagoano, aquela que ele mesmo fundara e entregara ao pastor Manoel Samora. Foi um breve silêncio de igrejas, um intervalo entre um rebanho e outro. Não demorou e uma menina, um pouco mais velha do que eu, apareceu com um convite: “Vamos à Primeira Igreja Batista do Primeiro de Maio?” Morávamos na Alameda Caboclo Tamandaré; a igreja ficava ao fim da alameda, à direita. Pedi permissão aos…
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Linha de anzol
O céu estava azul. Algumas nuvens espalhavam-se pelo horizonte. Meu pai trabalhava fora, enquanto minha mãe, em sua labuta doméstica incansável, parecia nunca parar. Ela acordava antes de todos e só encontrava repouso muito depois que meu pai. Suas mãos moldavam o dia, enquanto meu universo infantil se desenrolava no quintal de nossa casa. Era um quintal vasto, um território onde cada grão de areia parecia ter uma história. Minha brincadeira favorita era contá-los, sem pressa, sem compromisso. Nessa vastidão, encontrei um canto especial: um amontoado de cascalhos, pedaços de lajotas e rebocos que um dia sustentaram uma casa. Agora, aquelas ruínas do passado haviam se tornado chão. Em meio…
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Eu sou um executivo
Lembro-me vividamente de uma tarde no quintal de casa, no bairro Grande Vitória. Um quintal que mais parecia uma pequena chácara, com espaços amplos. Ali havia paredes de alvenaria que seriam, no futuro, parte de uma piscina que nunca veio a existir. Naquele dia, eu segurava uma pasta executiva que pertencera ao meu pai. Uma pasta robusta, de couro preto, que ele usava para carregar papéis importantes para a igreja. Por algum motivo, a pasta havia sido descartada, e agora estava em minhas mãos. Na companhia de alguns amigos, cujos rostos e nomes o tempo apagou, olhei para aquela pasta com um misto de curiosidade e fascínio. Segurei a pasta…
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A Espada
Nos fundos do quintal do meu tio Zeco, próximo ao muro baixo que dividia nossa casa da casa da dona Marta, havia uma área de serviço, um espaço que se tornava palco de nossas brincadeiras. Naquele dia, uma fogueira dominava o cenário. Não me lembro ao certo o porquê de a fogueira estar lá, mas sua presença logo se integrou às minhas brincadeiras com meu primo Rafael. Brincávamos de espadas. Minha espada era uma barra de ferro arredondada, brilhante, que eu imaginava ser tão poderosa quanto as das histórias que povoavam minha mente. Movido por um desejo de torná-la ainda mais imponente, decidi introduzi-la no fogo da fogueira. A barra…











