Filosofia & Teologia
A Lente Investigativa e Espiritual. Profundidade, sentido, rigor acadêmico. Aqui reside a sua busca pela verdade, pelo sentido e pelas bases do pensamento humano e divino. É o seu espaço de maior densidade teórica. Abarca seus papéis de: Filósofo, Teólogo e Pesquisador. O que entra aqui: Ensaios sobre epistemologia, análises éticas, estudos teológicos aprofundados, recortes da sua pesquisa acadêmica de doutorado e reflexões sobre a condição existencial humana.
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O Manifesto do Desencanto Biológico
Não sou velho, mas a juventude incontestável também já me escapou. Aos 41 anos, encontro-me estacionado nesta exata encruzilhada da vida, forçado a refletir logo após sepultar as minhas duas avós: Arlinda, em 2022, e agora, neste recente 15 de abril de 2026, a minha avó Arlete. Curioso notar a poesia fúnebre escondida na fonética. Ambas traziam no nome o princípio do elemento vital, o fôlego inicial, começando com a sílaba “Ar”. E, numa simetria que quase parece um recado do destino, as suas sílabas finais ecoam os dois extremos da nossa existência: o “da” de vida e o “te” de morte. Desde que eu era criança, no meu imaginário,…
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A Sociologia da Despedida: O Luto como Ferramenta de Coesão Social
O dia do velório constitui um rito de passagem solene, no qual a sociedade é confrontada tanto com a inexorabilidade da morte quanto com as tradições que emolduram o luto. Tais práticas, cujas nuances variam profundamente entre diferentes culturas, desempenham um papel estrutural no modo como os indivíduos processam a ruptura e exteriorizam o sofrimento. Para além de propiciar um espaço legitimado para a manifestação da dor, esses rituais atuam ativamente na construção e no fortalecimento da coesão social entre os enlutados. Essas conexões interpessoais revelam-se indispensáveis para o suporte emocional, uma vez que permitem a partilha de experiências e a busca por consolo coletivo diante de uma vivência desestabilizadora.…
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A Arqueologia do Eu: Tinta Azul e Certezas Oxidadas
Há objetos que operam como cápsulas do tempo, fendas que nos arremessam, sem aviso, para versões de nós mesmos que mal reconhecemos. Resgatar um livro da estante, com as bordas denunciando o amarelado inevitável e a oxidação pontuando o papel, é um desses encontros. Ao abrir a folha de rosto de Palavra de vitória 2, de Silas Malafaia, o impacto silencioso não emana da tipografia ou da autoria, mas do rastro da tinta azul. Ali, numa caligrafia que mescla pressa e afirmação, lê-se: “Pertence a Tiago Teixeira Vieira. 14/07/2011.” É fascinante essa urgência humana em demarcar propriedade. Aquele “Pertence a” é o registro fóssil de um instante e de uma…
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O Leviatã Invisível: A Biblioteca Fraturada e a Ilusão do Tempo
Houve uma época em que a memória operava como uma biblioteca meticulosamente organizada. Até o limiar de 2008, cada lembrança minha possuía uma lombada de couro com o ano gravado a ouro. Eu podia caminhar por esses corredores mentais, retirar um volume da prateleira e saber exatamente onde cada evento começava e terminava. O tempo era uma estrada reta, e eu, um caminhante seguro com um mapa confiável nas mãos. Mas, a partir de 2010, a bússola magnética da mente entrou em colapso. Não sei dizer com precisão em qual curva o ponteiro do relógio quebrou. Parece que o tempo deu um salto no escuro e, ao aterrissar, espalhou todas…
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A Curadoria do Fracasso: A Fronteira entre Aprender e Aceitar
Há uma máxima que circula frequentemente nas rodas de conversa e de negócios: “Não aceite conselhos de pessoas falidas”. Para compreendermos a profundidade dessa advertência, precisamos ir além do clichê e desmontar a própria linguagem do enunciado, começando pela palavra mais incisiva: o não. Neste contexto, o “não” é uma trincheira. Quando aceitamos algo, seja um presente, uma ideia ou uma direção, fazemos um movimento, literal ou analógico, de abrir os braços. Ao fazê-lo, abandonamos o nosso estado de vigilância ativa e entramos em uma zona de passividade e recepção. Portanto, “não aceitar” é recusar a permeabilidade; é negar-se a ser um recipiente vazio para as ideias alheias. Aplicando essa…
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A Arqueologia da Graça: O Supermercado, o Altar e a Coragem de Voltar
Neste domingo, enquanto o eco da Escola Dominical ainda preenchia a Missão Apostólica, o passado cruzou a porta da igreja. Reconheci-o de imediato. Um cumprimento rápido, um convite pastoral e, logo em seguida, o acolhimento ao redor do café no refeitório. Era um jovem que congregara conosco entre 2016 e 2017. Naquela época, ele havia aceitado a fé sob o nosso teto e logo começara a pregar. Mas, como uma chuva temporã que umedece a terra e logo evapora, o ímpeto passou, e ele se deixou levar pela correnteza dos dias. Tentamos resgatá-lo, batemos em portas, buscamos pela família, mas o esforço esbarrou no silêncio. Ele partiu para o interior…
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A Síndrome da Peça Faltante: O Inventário das Ausências aos Quarenta Anos
Ele não alimentava sonhos fáceis de travesseiro, mas daqueles que exigem vigília crônica: desejos que esticam o corpo para muito além das fronteiras do presente. Entre os seis e os nove anos de idade, ele foi legião. Viu-se executivo, o primeiro e mais fulminante clarão, pastor adornado por dons, bombeiro, militar de todas as fardas; administrador, político, médico e juiz; gari, cantor, estrangeiro na Europa e filósofo. Tantas vidas desfilaram por dentro do seu peito, mas, diante do espelho inflexível do tempo, ele não pôde ser todas elas. Ao cruzar o marco dos quarenta anos, foi assaltado pela vertigem de que a vida correu sem jamais autorizar um pouso. Carrega…
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A Alfaiataria do Abismo: A Manipulação Estética e a Fraude do Pertencimento
A manipulação raramente se anuncia pelo próprio nome. Ela não veste a farda do tirano; aproxima-se travestida de conselho bem-intencionado, oferecendo a doce, porém venenosa, promessa de aprovação e pertencimento. No calor desses instantes, o alvo dificilmente percebe o ardil: são pequenas e sucessivas concessões, microajustes quase imperceptíveis que, milímetro a milímetro, deslocam o sujeito para fora de si mesmo. As sugestões chegam com a naturalidade ensaiada de quem oferece socorro: “Você precisa ser mais descolado”, “Essa roupa é brega, vista-se melhor”, “Esse cabelo não está legal, faça alguma coisa”. Seduzido pela promessa implícita de aceitação, o indivíduo começa a negociar lotes da própria essência. Troca-se o guarda-roupa, ajusta-se a…
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A Matéria Escura da Alma: O Vazio como Presença e Exílio
Há sentimentos que se expressam por meio de uma exatidão inexata. São paradoxalmente precisos em sua imprecisão, atuando como um lastro pesado que se expande e rouba o oxigênio, desfocando os nossos limites e identidades. É um estado de espírito que resiste aos rótulos, embora exista de forma brutalmente concreta em sua própria abstração. Refiro-me ao vazio. Não aquele “nada” simples, oco e inexistente; mas a uma matéria escura, profunda e inevitavelmente presente. O vazio jamais poderia ser definido como mera ausência, porque ele é. Ele possui uma arquitetura própria na ausência de forma; é o ser do não-ser. Uma presença que ganha potência e vida própria justamente por sua…
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A Assimetria do Ser: A Aritmética Oculta dos Valores Humanos
Há, na matemática dos valores humanos, uma equação que subverte os números e estilhaça a lógica habitual. Um único indivíduo, preenchido por virtudes profundas, possui um peso específico que esmaga multidões desprovidas de significado. Este “um”, portador de uma essência vibrante, não é apenas um dígito; é a resposta orgânica à monotonia das quantidades vazias. Ele é a síntese da totalidade quando habitado pela potência de um ideal, o reflexo de um espírito que se recusa, categoricamente, a ceder ao desencanto. A superioridade dessa gravidade moral é inegável. Um indivíduo armado com esperança é maior do que três desesperançados. A esperança não é um otimismo passivo, mas o sopro vital…



























