Pólis & Gestão

Quando os justos sussurram

A medida exata do declínio de uma civilização não está na falência de suas economias, mas na forma como ela passa a enxergar as suas crianças. O utilitarismo moderno operou uma inversão na nossa consciência: a infância, que deveria ser o eixo da nossa esperança, passou a ser tratada como um peso. Na ditadura do conforto e da conveniência, a vida humana em sua fase mais vulnerável tornou-se um estorvo funcional.

Nesse cenário, o que mais assusta não é o barulho dos que atacam a vida, mas o silêncio dos que deveriam defendê-la. Onde estão as vozes que deveriam ecoar como trovões diante da injustiça?

O golpe mais duro não vem do confronto externo. Nasce do nosso abandono interno. A covardia infiltrou-se no altar e contaminou aqueles que foram chamados para ser portadores da luz. É a tragédia das instituições e igrejas que, por conveniência, temor das críticas ou simples omissão, perdem a sua voz profética.

Quando os justos sussurram, a barbárie ganha o microfone.

A urgência do nosso tempo não exige diplomacia. Exige coragem. A verdade sobre a sacralidade da vida não pode ser relativizada, abafada ou negociada.

Assumir a posição de guardião da vida tem um preço alto.

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes - Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

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