Certeza do leito
Há uma tensão que arde no interior, um alvoroço silencioso ecoando como chama contida. Uma vontade indomável que se agita, ansiando por algo que ainda recusa um nome. É uma voracidade que traz consigo um repouso inquieto, um pulsar ininterrupto.
Como um rio que tem absoluta certeza do seu leito, mas que ainda não abraçou o seu mar.
É a materialização de uma lacuna: uma ausência que serve de combustível, transformando a própria falta em força motriz. É o instinto de rastrear a presença exata que servirá de resposta e que, ao ser tocada, silenciará a tempestade. Mas enquanto esse porto não se revela, a odisseia prossegue. Alimenta-se do próprio enigma e sustenta-se na esperança cega, compreendendo que cada passo em direção ao desconhecido já é, em si, uma forma de revelação.
No fim, a própria voracidade converte-se em destino. Vira marcha em direção ao inatingível que, ironicamente, pavimenta a estrada sob os nossos pés. Talvez a resposta não resida no troféu que se persegue, mas na musculatura adquirida durante a busca.
A recompensa está no movimento, na coragem de avançar empurrado por um amor que ainda não tem forma.


