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    A árvore de papelão

    Para montar o cenário de uma peça, os alunos foram até o supermercado ao lado do campus pedir caixas de papelão. Voltaram com o material e começaram a recortar duas colunas e uma árvore. Enquanto pintava, uma das estudantes contou o que estava pensando. Disse que imaginou aquela árvore como se fosse ela mesma. Que sentiu como se estivesse saindo de si e entrando num filme, e voltando logo em seguida. Disse que imaginou a própria vida como aquele papelão sendo recortado, sendo moldada. Ela tem quinze anos. Fico com essa cena por dois motivos. O primeiro é o papelão. Aquela peça não teve orçamento. O cenário saiu de caixas…

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    Um resumo sem autor

    Reli, de uma vez, todos os resumos que escrevi para as disciplinas de filosofia e ciências sociais. Aristóteles, Kant, Descartes, Hume, Hegel, Nietzsche, Marx e Engels, Fourez, Hempel, Humphreys, Diderot. Onze textos. Dezenas de páginas. E em nenhuma delas eu apareço. Não há uma frase em que eu diga que discordo. Não há um parágrafo em que eu ligue o que li a alguma coisa que vi. Não há uma pergunta minha. Não há sequer um registro de dificuldade, do tipo “não entendi esta passagem” ou “isto me parece frágil”. Onze autores, e o leitor daqueles resumos não consegue saber se quem os escreveu é ateu ou pastor, tem vinte…