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O Castelo
Um castelo que se constrói dentro de si mesmo. Suas bases mergulham profundamente no mistério do espírito, cravadas em uma rocha que transcende o mundo. Essa rocha é viva, pulsante, e seu nome é Vida. Colunas de força invisível conectam a rocha aos recantos mais profundos da alma, onde habitam os depósitos mais preciosos e, paradoxalmente, mais ocultos. As colunas não são vistas, mas nelas reside a sustentação de toda a fortaleza interior. Paredes simbólicas erguem-se entre o interior e o exterior. Elas moldam um espaço onde a alma pode repousar. Dentro dessa fortaleza há um núcleo, onde as paredes se tornam cada vez mais estreitas, conduzindo ao lugar onde…
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Onde ela está
Era 2005, uma segunda-feira. O relógio marcava por volta das 11h30 da manhã, e o pequeno quarto no Bairro Cariaciquense estava tomado por uma luz intensa. O sol parecia ter descido para dentro da janela. As venezianas quebradas e os vidros soltos na janela balançavam ao sabor do vento, enquanto eu observava o beco à frente. Conseguia ver alguém, ou ao menos achava que via. Quem era? Não sabia. A luz ajudava, mas também atrapalhava. Meus olhos corriam de um lado para o outro, exploravam cada canto. O céu parecia límpido, mas ao baixar o olhar, eu não via pessoas. Apenas morcegos. Eles voavam em uma confusão de asas, como…
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A Chuva
A chuva desceu com uma força incomum, quente e salgada, como se fosse feita de sangue. A luz que antes reinava cedeu espaço a uma penumbra densa, enevoada, onde os contornos das coisas desapareciam. Meus lábios se moveram, mas não em palavras. Era um balbuciar fraco, um sussurro sem forma. Meus olhos, agora vermelhos como brasas, ardiam, e algo quente descia pelo rosto, misturando-se à chuva. Um suspiro trêmulo ensaiou romper o silêncio, mas foi engolido pelo vento que rugia ao meu redor. O tempo parecia roubar pedaços da alma. Os pulmões, agora assobiando como uma flauta desafinada, eram cúmplices desse momento. O vento rugia como um chamado. Ele não…






