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Dobrei os joelhos
Aquela energia brota do coração e percorre cada célula do corpo, da cabeça até a ponta dos pés. É um poder que nasce da rendição absoluta ao Criador. Esse poder se manifesta com intensidade quando, com a boca e a alma em uníssono, proclamamos: Glória, Glória, Glória a Deus! Foi assim que o senti, em 2002, na Assembleia de Deus no bairro Primeiro de Maio. O culto estava cheio, mas, ao mesmo tempo, parecia que eu estava sozinho na presença do Senhor. Diante do altar, dobrei os joelhos. Fechei os olhos, abri a boca e deixei a alma falar, sem me preocupar com quem estava ao lado. Não havia mais…
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A igreja viu
Eram dias de festa na Assembleia de Deus no Bairro Grande Vitória, Congregação do Ministério da Volta do Rabaioli. A igreja estava cheia, as pessoas transbordavam alegria, e os bancos estavam repletos de fiéis prontos para celebrar. Meus pais, como sempre, estavam presentes. Papai, discreto, escolhia um lugar próximo à porta. Eu, doente e impossibilitado de andar, estava no colo de minha mãe. Naquele tempo, minha realidade era marcada por limitações físicas causadas por uma meningite que tinha me atingido severamente. Minhas pernas não firmavam, e a dor na coluna era constante. A cabeça de criança não compreendia a gravidade da situação. Para mim, a vida de internações, hospitais e…
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Onde ela está
Era 2005, uma segunda-feira. O relógio marcava por volta das 11h30 da manhã, e o pequeno quarto no Bairro Cariaciquense estava tomado por uma luz intensa. O sol parecia ter descido para dentro da janela. As venezianas quebradas e os vidros soltos na janela balançavam ao sabor do vento, enquanto eu observava o beco à frente. Conseguia ver alguém, ou ao menos achava que via. Quem era? Não sabia. A luz ajudava, mas também atrapalhava. Meus olhos corriam de um lado para o outro, exploravam cada canto. O céu parecia límpido, mas ao baixar o olhar, eu não via pessoas. Apenas morcegos. Eles voavam em uma confusão de asas, como…
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A Chuva
A chuva desceu com uma força incomum, quente e salgada, como se fosse feita de sangue. A luz que antes reinava cedeu espaço a uma penumbra densa, enevoada, onde os contornos das coisas desapareciam. Meus lábios se moveram, mas não em palavras. Era um balbuciar fraco, um sussurro sem forma. Meus olhos, agora vermelhos como brasas, ardiam, e algo quente descia pelo rosto, misturando-se à chuva. Um suspiro trêmulo ensaiou romper o silêncio, mas foi engolido pelo vento que rugia ao meu redor. O tempo parecia roubar pedaços da alma. Os pulmões, agora assobiando como uma flauta desafinada, eram cúmplices desse momento. O vento rugia como um chamado. Ele não…
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Vinte dias
Era o ano de 2001, e meu pai era responsável por um ponto de pregação em Paul, Vila Velha. Um lugar simples, escondido nos labirintos da periferia. Para chegar àquela casa, passávamos por caminhos que o asfalto jamais tocara. Depois do viaduto principal, virávamos à direita, atravessávamos por baixo de um viaduto mais estreito e seguíamos adiante, em direção a um morro. O carro ficava para trás, pois dali em diante o trajeto pertencia apenas aos pés: uma trilha estreita, margeada pela mata, onde apenas uma pessoa podia passar por vez. Esse caminho era o corredor que nos levava àquele terraço. Eu sempre levava meu violão Giannini série estudante, adquirido…












