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Sem que eu conhecesse suas vozes
Quando vou à igreja, não só à minha, mas em especial quando visito outras, levo comigo uma esperança que parece pequena, mas pulsa forte dentro de mim. Uma esperança de que, ali, entre as cadeiras e os cânticos, entre os olhos fechados da oração e os olhos abertos da fé, esteja ela… minha futura esposa. Procurava santidade. Pureza no olhar. Amor pela Palavra. Aquela que fosse, ao mesmo tempo, sensível e firme, com vontade de formar uma família de verdade, no temor do Senhor. Mas, mesmo com tudo isso queimando em mim, ficava parado. Esperava. Pensava: “Se for de Deus, ninguém vai impedir.” E assim me escondia atrás dessa verdade,…
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O único a aparecer
Em minha adolescência, um dos lugares que mais amava frequentar era o Vitória Futebol Clube, um espaço que se tornou uma extensão da minha casa. Foi lá que me conectei com a natação, uma prática que abracei por dois ou três anos, graças ao programa da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Vitória. As pessoas me conheciam ali, e essa familiaridade me fazia sentir pertencente, mesmo quando o mundo adolescente parecia solitário. Além da natação, por um breve período, me aventurei na musculação, mas foi na piscina que vivi meus melhores momentos. Recordo-me de dias frios, quando a água parecia congelar a pele e a coragem era testada. Mesmo assim,…
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Onde ela está
Era 2005, uma segunda-feira. O relógio marcava por volta das 11h30 da manhã, e o pequeno quarto no Bairro Cariaciquense estava tomado por uma luz intensa. O sol parecia ter descido para dentro da janela. As venezianas quebradas e os vidros soltos na janela balançavam ao sabor do vento, enquanto eu observava o beco à frente. Conseguia ver alguém, ou ao menos achava que via. Quem era? Não sabia. A luz ajudava, mas também atrapalhava. Meus olhos corriam de um lado para o outro, exploravam cada canto. O céu parecia límpido, mas ao baixar o olhar, eu não via pessoas. Apenas morcegos. Eles voavam em uma confusão de asas, como…
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Ninguém me pediu para escrever
Ninguém me pediu para escrever. Não houve convite, não houve encomenda, não houve amigo insistindo. Houve um impulso: a vontade de dizer alguma coisa ao mundo mesmo sabendo que o mundo não estava escutando. Começo com mais hesitação do que certeza. Não sei quem vai ler, nem se alguém lerá. Sei apenas que algo precisava sair, uma palavra, uma pergunta, um incômodo. Escrever, aqui, é menos comunicar do que escutar o que pulsa dentro e tentar dar nome ao que ainda não tem nome. Este espaço nasce da solidão pensante. Do desejo de entender o que nos move e o que nos trava, neste mundo que se esconde atrás de…











