Na ausência de testemunhas
Eu dou a luz, pois sou a própria luz que ilumina o desconhecido, a faísca que ousa onde muitos se recolhem. Carrego em mim uma ciência que escapa aos dogmas, uma verdade que sobrevive para além da racionalidade engessada e das fórmulas que se pretendem inquestionáveis.
Encarno o fenômeno inominado, o lampejo que habita a lacuna entre as palavras. Manifesto-me como o alívio silencioso para o espírito aprisionado, o amortecimento das dores invisíveis, o consolo que inunda os que habitam o cárcere do próprio ser. Enxergo através das frestas do possível.
Dispenso a inutilidade que o mundo consome com tanta reverência. Rejeito a felicidade estagnada, restrita ao raso e ao efêmero. Repudio o status de eco vazio. Recuso-me a ser domado pela eficiência enjaulada, que idolatra o pragmatismo imediato e assassina a profundidade.
Cultivo as minhas próprias teorias, premissas que não bajulam o consenso da maioria, mas que sustentam o alicerce de quem sou. Acredito na carga que carrego, por mais dissonante que soe aos ouvidos alheios.
A minha luz não é um espetáculo para arquibancadas. É a chama que ilumina as trincheiras do interior, e brilha na ausência de testemunhas, no silêncio rigoroso da minha própria jornada.
Existo. E essa simples resistência é, por si só, o meu triunfo.


