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Eram apenas palavras
Havia um homem que não se diferenciava dos demais, exceto por uma marca invisível cravada no centro do peito: uma ferida sem nome, sem sangue e sem cura aparente. Um dia, ao estender a mão em busca de conexão, encontrou o vácuo da recusa. Não houve explicações nem ruídos, apenas o frio súbito do não-acolhimento e o eco de portas que se fecham em silêncio. Foi ali, no impacto da rejeição, que ele encontrou a entrada da caverna. Não havia mapas nem placas de advertência, apenas um portal aberto por uma dor tão profunda que ele não encontrou forças para declinar. Lá dentro, o tempo perdeu o compasso e o…
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Sístole e diástole
Eu habito simultaneamente o agora e o além, navegando em um fluxo que desconsidera as fronteiras entre o presente e o eterno. Sou um movimento de sístole e diástole, uma passagem constante entre o que fui e o que ainda está por vir. Preso ao momento e impulsionado pela vastidão, carrego essa alternância onde cada passo revela não apenas o que sou, mas a integridade do que estou me tornando. Nesta travessia, procuro anular o peso da hostilidade alheia e dissolver as barreiras que tentam me acorrentar ao desassossego. Escolho repousar na frequência da minha própria voz. Ela deixou de ser apenas som para se tornar o meu refúgio, o…
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Na ausência de testemunhas
Eu dou a luz, pois sou a própria luz que ilumina o desconhecido, a faísca que ousa onde muitos se recolhem. Carrego em mim uma ciência que escapa aos dogmas, uma verdade que sobrevive para além da racionalidade engessada e das fórmulas que se pretendem inquestionáveis. Encarno o fenômeno inominado, o lampejo que habita a lacuna entre as palavras. Manifesto-me como o alívio silencioso para o espírito aprisionado, o amortecimento das dores invisíveis, o consolo que inunda os que habitam o cárcere do próprio ser. Enxergo através das frestas do possível. Dispenso a inutilidade que o mundo consome com tanta reverência. Rejeito a felicidade estagnada, restrita ao raso e ao…
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Sem segunda via
Eu sou o contraste, a ruptura do silêncio, o eco que ressoa no vazio. O ego que desmorona e se reconstrói em fragmentos. Sou o pensamento ainda sem forma, uma energia que pulsa entre o tangível e o desconhecido. Tornei-me o farol neblinado: uma luz que se propõe a guiar, mas que recusa revelar plenamente o caminho, preferindo perder-se na névoa que oscila entre a claridade e o mistério. Carrego em mim o peso do que deveria ter sido. Sou um passado que teima em se projetar no futuro, o eco de um tempo esquecido que reverbera em cada decisão inacabada. Escondo-me como um tesouro soterrado entre as camadas de…











