Filosofia & Teologia

O café das 17h30

Quando coloco um par de óculos escuros, vejo o mundo sob uma tonalidade mais escura. Minha visão não alcança diretamente o que está diante de mim, passa por uma lente que modifica o que vejo.

Na empresa onde trabalho, costumo tomar um café às 17h30. Ao chegar à cozinha, encontro, na maioria das vezes, uma garrafa praticamente vazia. Diante disso posso dizer “só deixaram o resto para mim” ou “que bom, ainda restou um pouco”.

Observar é uma escolha de perspectiva. Ao olhar para algo, podemos enxergar de diferentes ângulos, e a escolha do ângulo define nossa percepção. Muitas vezes escolhemos o ponto de vista inconscientemente, deixando que o piloto automático decida por nós.

Quando levaram a Jesus uma mulher acusada de adultério, ele não a viu apenas como pecadora, mas como alguém necessitada de compaixão. Quando chamou Pedro e João, viu pescadores de homens.

Procurar o melhor ângulo exige esforço, atenção e disposição para conhecer profundamente o que está diante de nós. O olhar superficial perde a possibilidade de ver a grandeza onde a maioria vê o trivial.

Às vezes, nossas maiores riquezas estão debaixo de nossos pés, e passam despercebidas pela pressa do olhar.

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes - Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

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