O café das 17h30
Quando coloco um par de óculos escuros, vejo o mundo sob uma tonalidade mais escura. Minha visão não alcança diretamente o que está diante de mim, passa por uma lente que modifica o que vejo.
Na empresa onde trabalho, costumo tomar um café às 17h30. Ao chegar à cozinha, encontro, na maioria das vezes, uma garrafa praticamente vazia. Diante disso posso dizer “só deixaram o resto para mim” ou “que bom, ainda restou um pouco”.
Observar é uma escolha de perspectiva. Ao olhar para algo, podemos enxergar de diferentes ângulos, e a escolha do ângulo define nossa percepção. Muitas vezes escolhemos o ponto de vista inconscientemente, deixando que o piloto automático decida por nós.
Quando levaram a Jesus uma mulher acusada de adultério, ele não a viu apenas como pecadora, mas como alguém necessitada de compaixão. Quando chamou Pedro e João, viu pescadores de homens.
Procurar o melhor ângulo exige esforço, atenção e disposição para conhecer profundamente o que está diante de nós. O olhar superficial perde a possibilidade de ver a grandeza onde a maioria vê o trivial.
Às vezes, nossas maiores riquezas estão debaixo de nossos pés, e passam despercebidas pela pressa do olhar.


