Tiago Rizzolli

Reflexões sobre a condição humana, a fé e as estruturas do mundo.

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  • Filosofia & Teologia

    Um ato de amputação

    11 de janeiro de 2010 / No Comments

    Existe uma ingenuidade perigosa na forma como lidamos com a passagem do tempo: acreditamos que o simples virar da página no calendário é suficiente para nos libertar de quem fomos ontem. Mas o passado possui uma força gravitacional esmagadora. Se não fizermos um esforço consciente para romper com ele, seremos eternamente reféns das nossas memórias, falhas e frustrações. É contra essa inércia que o apóstolo Paulo adverte em Filipenses 3. Quando ele diz que faz apenas uma coisa, esquecer o que fica para trás, não está propondo um exercício de amnésia tola. Está revelando uma estratégia de sobrevivência. Esquecer, no sentido bíblico, é um ato de amputação. É desvincular a…

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    Tiago Rizzolli

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    28 de agosto de 2006
  • Artes & Narrativas

    Eu sou o que não disse

    7 de dezembro de 2009 / No Comments

    Eu sou o que não disse. O que não ousou. O que hesitou no instante exato em que o tempo exigia uma resposta. Sou a presença oculta no peito, o sopro incômodo do que poderia ter sido. O mistério que virou silêncio e, depois, lamento. Fui aquele que esperou tanto pelas condições perfeitas que se esqueceu de notar que o prazo da espera havia prescrito. Por medo, fechei os olhos. Por medo, não telefonei. E esse medo me imobilizou a ponto de me tornar apenas um coadjuvante na história que eu mesmo deveria protagonizar. Fui o que machucou sem saber, projetando esperanças no alto e tentando tocá-las com mãos ainda…

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    Tiago Rizzolli

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    O Cascalho

    30 de outubro de 2006
  • Filosofia & Teologia

    Escrita sem borracha

    9 de agosto de 2008 / No Comments

    “Corre…” Foi a única coisa que ouvi do passado. Sem hesitar, obedeci. Corri como se houvesse um destino a alcançar, como se pudesse deixar para trás o que me trouxe até aqui. Corri, tentando superar o próprio tempo, mas o tempo, incansável, continuou. Em meio ao esforço, eu cansei; o tempo, imune ao cansaço, prosseguiu. Segui mais devagar, sem o fôlego que eu tinha no começo, mas com uma sensação de que algo, ou talvez eu mesmo, ficava para trás. Cheguei a um lugar que agora já me é desconhecido. Estou entre o “ir” e o “chegar”, preso a essa linha tênue onde tudo parece avançar e ao mesmo tempo…

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    Vovozinha

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    Uma laranja para Marcela

    27 de novembro de 2006
  • Filosofia & Teologia

    Cinco minutos

    4 de janeiro de 2008 / No Comments

    Ainda bem que o tempo passa. Já imaginou o desespero se tivéssemos de suportar uma segunda-feira eterna? Há um alívio imenso no movimento dos dias. A beleza de cada instante só se revela porque ele não permanece, porque sua natureza é fugaz. Conta-se que havia uma menina que se encantava todas as manhãs com a visita de um pássaro. Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto breve, não durava mais do que cinco minutos, mas esses cinco minutos eram suficientes para aquecer o dia inteiro. Certo dia, o desejo de prolongar aquela beleza tomou conta dela. Resolveu capturá-lo, colocou-o em uma gaiola para que pudesse ouvir…

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    O Castelo

    3 de julho de 2006

    Outro costume, a mesma procura

    11 de dezembro de 2006

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    23 de maio de 2010
  • Educação & Cuidado

    Adolfina

    24 de abril de 2006 / No Comments

    Era 1999, e eu estava na turma da então 8ª série da EEPG Adolfina Zamprogno. Sentava na frente, ao lado da Simone, uma menina inteligente e de conversa agradável. Havia muitos colegas que marcaram minha vida: Márcio, que até certo ponto era meu “melhor amigo”, morava em Vila Garrido, numa casa à beira do morro, de onde se podia ver uma parte do bairro Pedra dos Búzios. Estive lá uma única vez. Havia também o Wilson, o Alexsandro Melo, o Wadvan, a Tasciana, o Paulo Rogério, o Renan, e outros nomes que o tempo levou. Alexsandro Melo era um menino que se destacava. Ele tocava pandeiro como ninguém, e sua…

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    O próprio reflexo

    23 de agosto de 2008

    A Necrose do Silêncio e a Olaria da Graça

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A angústia de ser A angústia de ser
A máquina não precisa do condutor para continuar a A máquina não precisa do condutor para continuar andando....
A nota nunca chega. A nota nunca chega.
Davi foi listando endereços: o céu, o abismo, os c Davi foi listando endereços: o céu, o abismo, os confins do mar, a escuridão que ele imaginava espessa o suficiente para servir de esconderijo. Não era geografia. Era um homem procurando um lugar que estivesse vago, e perdendo a discussão verso após verso, porque a resposta chegava antes dele: ali estás.
Passei anos achando que a pergunta era um itinerár Passei anos achando que a pergunta era um itinerário, que bastava reconstituir a saída e adivinhar a chegada e o meio se explicaria sozinho, como quem acha que entende uma casa olhando a planta. Mas tem uma coisa que não se move e por isso não pode ser rastreada, e não é o mistério que falta informação, é que ela não se aplica: o que apenas é não tem de onde nem tem para onde, está.
Descobri isso tarde, e ainda descubro.
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Sobre mim

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes – Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

Uma voz em defesa da dignidade humana!

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