A sombra que caminha à esquerda
A projeção, essa artimanha da mente, constrói ilusões que se estendem como sombras do presente, tentando alcançar um futuro que ainda não existe. É como trazer o “lá” para o “aqui”, antes mesmo de ele ter forma. Mas quando o “lá” se torna real e habitamos o espaço do que projetamos, a decepção surge.
Quantas ilusões plantamos ao pensar que podemos ser especiais para alguém, ocupando um trono que só existe enquanto dura o delírio de uma autoestima desenfreada. Acreditamos que o “especial” será eterno, mas ele é frágil, condicionado à duração do encantamento.
A ilusão maior está na tentativa de decifrar o outro como se fosse uma equação. Às vezes, seguimos o brilho de uma sombra que caminha à esquerda, enquanto nosso corpo segue o trilho da direita.
Assim construí as minhas ilusões, ergui castelos de areia sobre o que pensava ser a realidade das pessoas que me cercam. E ao chegar no destino, ao pisar o terreno onde deveria haver solidez, encontrei apenas ecos do vazio.


