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Eu acreditei
Estive em uma relação que eu pensava ser amizade. Ele era sozinho. Tinha dificuldade de fazer amigos por perto, e eu não fui escolha, fui o que tinha. Mas eu pensava que era amizade. Era uma amizade nutrida pela economia. Ele pagava com um dinheiro que não era dele, e eu não conseguia enxergar que ele não tinha, que a fonte era o pai. Ele não sabia o valor do que tinha, e eu não sabia da fonte. Por volta de 2006 a 2008, na época do Orkut, estreitamos vínculos. Por meio da pregação da palavra eu tinha acesso a igrejas, a bairros e a pessoas com quem, de outro…
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Sisudo em palavras
Davi era o caçula, o último a ser lembrado entre os filhos de Jessé. Talento, biblicamente falando, não é uma habilidade. É um valor, uma unidade de peso, uma moeda. O sentido que damos hoje à palavra vem de uma parábola em que talentos são dinheiro entregue a servos para ser movimentado. Quem tem talento, nesse sentido antigo, tem algo que só vale quando circula. Davi era músico, e sua música trabalhava: restaurava a alma aflita de Saul, trazendo paz onde havia aflição. Quando o descrevem a Saul, dizem que ele sabe tocar, é valente, é homem de guerra e é sisudo em palavras. A expressão vem da tradução de…
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Água viva
O Salmo 104 descreve a criação com profundidade poética e nos lembra que somos pequenos diante da majestade divina. Deus faz rebentar nascentes; as águas correm entre os montes e dão de beber a todos os animais do campo. Assim como Tales de Mileto observou a água como o elemento fundamental da vida, reconhecemos que sem água não há existência. Sem o Espírito de Deus, não há vida espiritual. Na Festa de Sucot, os sacerdotes retiravam a água do tanque de Siloé. Foi nesse contexto que Jesus falou da água viva que satisfaz a sede eterna. Ele não propôs um símbolo novo: ocupou um que já estava em uso, no…
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O meio-fio
Era o aniversário da igreja Assembleia de Deus no bairro São João Batista, em Vila Velha, provavelmente no ano de 2007. Meu amigo Douglas Pinheiro pastoreava aquela pequena congregação, auxiliado pelo então presbítero e hoje pastor Joabe. Recebi o convite para pregar por dois dias: na noite de sábado e na manhã de domingo. Naquela noite de sábado, a igreja estava cheia. Enquanto ministrava a palavra, um senhor entrou. Seus passos vacilantes e a maneira como se dirigiu ao último banco denunciavam o estado em que estava. Sentou-se perto da porta de saída e começou a proferir palavras aleatórias, frases soltas que logo se tornaram um foco de distração. Percebi…
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Alguns passos para trás
Em toda a história do povo hebreu, a presença de Deus se manifesta em Sua misericórdia, como uma longa e paciente espera pelo retorno de Seus filhos. Ele oferece oportunidades de arrependimento antes de qualquer correção, uma mão estendida que nunca se cansa de apontar o caminho de volta. Quando transgredimos a lei, Deus nos dá, uma vez mais, a chance de reconhecer nossas falhas. A vida cristã é um contínuo chamado ao arrependimento, uma sucessão de chances que renovam a alma. Mas esse caminho exige, muitas vezes, a humildade de dar alguns passos para trás, de enfrentar o que ficou incompleto, de reparar o que ainda nos pesa, antes…
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O próprio reflexo
O pecado atravessa o tempo e o espaço, alcançando a todos, sem distinção de classe, lugar ou circunstância. Ele surge de inúmeras formas, adaptando-se ao coração humano, moldando-se aos desejos e fraquezas de cada época. Nos dias de Isaías, o pecado era como uma sombra que pairava sobre Judá, envolvendo desde os líderes até os cidadãos comuns. A corrupção se infiltrava na política, nas relações sociais, e até nos rituais religiosos. Isaías enfrentava o desprezo e a incompreensão ao denunciar o que estava fora do lugar, ao expor as rachaduras da sociedade. Mesmo sem sucesso aos olhos do mundo, permanecia fiel, pois entendia que sua missão era fazer com que…
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O presente e quem presenteia
A imagem de algo grandioso sempre desperta em nós um misto de assombro e reverência. Quando Deus nos chama para realizar uma grande obra, nossa imaginação tenta construir uma visão imensa, algo que transcenda nossos próprios limites. E, no entanto, ao tentar vislumbrar o que é infinito, permanecemos confinados nos contornos de nosso próprio imaginário. Isaías, em seu tempo, foi convocado a cumprir uma obra monumental. Sua missão era despertar Judá, arrancá-la da complacência e trazer uma mensagem de advertência que a impelisse ao arrependimento. Em meio a uma nação voltada aos próprios desejos, seria mais fácil proferir palavras que confirmassem suas escolhas, que alimentassem sua marcha já em curso.…
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Uma teoria bonita, porém frágil
Há uma crença entre os religiosos, quase um axioma, que insiste: devemos acreditar no impossível. Dizem isso com convicção, como uma verdade que ultrapassa a razão. Mas o que acontece quando essa crença precisa virar ação viva? É uma tarefa fácil, quase trivial, falar de fé ao outro. Exortar alguém a confiar naquilo que não vê é um exercício seguro quando estamos de fora. Contudo, quando o impossível se aproxima de nós com sua face fria e densa, nossas palavras titubeiam. A fé, tão valente em teoria, começa a oscilar. Então construímos uma fé ao avesso: passamos a acreditar apenas no que vemos e a duvidar do que é invisível.…
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Jonas, outra vez
Tenho a lembrança viva de quando, com apenas 10 anos, subi ao púlpito pela primeira vez para levar a mensagem principal. Foi no Morro dos Alagoanos, em um templo simples, ainda na parte de baixo da sede própria da igreja. Era 1995 ou 1996, e eu, tão jovem, sentia o peso da responsabilidade. Preguei sobre Jonas. A história daquele homem que tentou fugir de Deus. Eu não queria fugir, mas tremia diante do que aquele momento representava. A pequena congregação estava ali, atenta, com olhos que me observavam e ouvidos que aguardavam o que eu tinha para dizer. Minha segunda pregação foi na Assembleia de Deus em Gurigica, uma congregação…
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A paz do Senhor
Era o ano 2000, e eu caminhava pelas ruas que marcavam os limites entre Pedra dos Búzios e Primeiro de Maio. Atravessar aquela ponte a pé, sentir o calor do meio-dia e ser abraçado pelo silêncio das ruas parecia mais um ato corriqueiro. Curvei à direita, passei pela Igreja Batista que repousava à esquerda e segui adiante. Não havia pressa, não havia grandes expectativas, apenas o caminho e o calor, que parecia querer se impregnar no ar e na pele. À frente, um caminhão FENEME descansava, dividindo a rua. Uma senhora dirigiu-se a mim com um cumprimento: “A paz do Senhor.” Respondi de imediato, com a mesma reverência que sua…





























