Filosofia & Teologia

Promessas que deixamos prescrever

À medida que os anos avançam, a vida desdobra-se como um tribunal silencioso, onde as sentenças por tudo aquilo que deixamos de fazer tomam forma. Cada ano acrescentado à nossa biografia traz uma lucidez implacável, que nos confronta com os passos que a hesitação abortou e com as palavras que sufocamos no instante exato em que o mundo pedia a nossa voz.

Esses vereditos não gritam. Sussurram no fundo da consciência, e convocam a um inventário íntimo, onde revisamos quem fomos com a vista cansada de quem já sabe o que poderia ter sido. A cada novo ciclo, carregamos o peso das escolhas acovardadas, das promessas que deixamos prescrever e dos sonhos que exilamos no esquecimento.

E quanto mais avançamos, mais espessa se torna a sensação de que o não-vivido continua a existir.

As oportunidades não têm vocação para a eternidade, e a covardia cobra juros altíssimos.

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes - Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

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