• Filosofia & Teologia

    Descer aos próprios porões

    Quando a ampulheta de mais um ano esgota a sua areia e somos forçados a olhar para trás, revivemos as experiências que pavimentaram o caminho. Houve alegria e superação, luto e renovação. O tempo, indiferente às nossas pausas, prosseguiu o seu curso. O que passou repousa além do nosso alcance, mas as lições e as consequências continuam sentadas à nossa mesa. As boas sementes entregam frutos doces; os erros convidam à correção de rota. Neste inventário íntimo, a pergunta é uma só: estamos forjando as escolhas que nos conduzem ao crescimento e à paz? Fechar uma porta cronológica e abrir outra exige a coragem de rever a jornada. Precisamos de…

  • Filosofia & Teologia

    Inventário íntimo

    Quando a ampulheta de mais um ano esgota a sua areia e somos forçados a olhar para trás, revivemos as experiências que pavimentaram o caminho. Houve alegria e superação, luto e renovação. O tempo, indiferente às nossas pausas, prosseguiu o seu curso. O que passou repousa além do nosso alcance, mas as lições e as consequências continuam sentadas à nossa mesa. As boas sementes entregam frutos doces; os erros convidam à correção de rota. Neste inventário íntimo, a pergunta é uma só: estamos forjando as escolhas que nos conduzem ao crescimento e à paz? Fechar uma porta cronológica e abrir outra exige a coragem de rever a jornada. Precisamos de…

  • Filosofia & Teologia

    Promessas que deixamos prescrever

    À medida que os anos avançam, a vida desdobra-se como um tribunal silencioso, onde as sentenças por tudo aquilo que deixamos de fazer tomam forma. Cada ano acrescentado à nossa biografia traz uma lucidez implacável, que nos confronta com os passos que a hesitação abortou e com as palavras que sufocamos no instante exato em que o mundo pedia a nossa voz. Esses vereditos não gritam. Sussurram no fundo da consciência, e convocam a um inventário íntimo, onde revisamos quem fomos com a vista cansada de quem já sabe o que poderia ter sido. A cada novo ciclo, carregamos o peso das escolhas acovardadas, das promessas que deixamos prescrever e…

  • Filosofia & Teologia

    As paralisias que consentimos

    Na ausência há um gosto férreo que recusa nos abandonar. É o sabor amargo da impossibilidade, o ressoar de uma partitura que poderia ter sido tocada e que silenciou. A ausência nunca é apenas uma falta: é uma presença dilacerante que se impõe nos intervalos, uma sombra espessa feita de escolhas não vividas, de gestos abortados e de palavras que morreram na garganta antes de ganharem o mundo. Carregar essa ausência é transitar por um deserto interno onde cada grão de areia é a fratura de uma memória. Surge, a cada passo, o eco da fantasia: o desejo de varar o passado e torná-lo matéria dócil, a vontade de costurar…