Amar é comparecer
Do rigor da razão brota a lógica; do pulsar do coração, a arte. Em nossa estrutura íntima, essas duas estradas se cruzam, tecendo histórias que a alguns comovem e a outros parecem inconcebíveis. A razão é a âncora que nos prende ao chão implacável da realidade, e o coração é o vento que dá movimento à jornada. A grande audácia existencial não é escolher entre eles, mas exigir ambos.
Tratar a razão e o coração como inimigos é um erro comum. São velhos companheiros que, quando em harmonia, equilibram o nosso caminhar. Ter a coragem de sentar à mesa com essas duas forças é um privilégio árduo: é a honra de dialogar com as nossas próprias contradições.
Estar alegre não é uma euforia passageira. É viver no lugar onde se quer estar e permitir-se permanecer ali. É fincar os pés tão profundamente no agora que qualquer tentativa de fuga da realidade perde o sentido. É no presente, e apenas nele, que tocamos o divino.
Afinal, amar é, acima de tudo, comparecer.


