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A paz subversiva
Seguir os ensinamentos de Cristo não é um passeio por um caminho de luz. É trilhar a via árdua da lucidez, onde o amor ao próximo se estabelece como o único fundamento possível para uma existência bem-aventurada. Quando passamos a enxergar cada ser não como instrumento para o nosso ego, mas como imagem e semelhança de Deus, a paz e a união deixam de ser apenas possíveis e passam a ser urgentes. É essa compreensão que nos devolve a capacidade de olhar para o outro, despojado de seus rótulos, e chamá-lo de irmão. A religião transcende a repetição mecânica de ritos e a frieza das doutrinas. Ela é a práxis…
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Amar é libertar
Não é o masculino que causa a dor, mas o ego que nele habita. Digo isso de dentro. Conheço esse ego e conheço a sua economia. Ele não ama: consome. Vê o outro não como um ser em plenitude, mas como um meio de preencher os próprios vazios. É atraído pelo que pode obter, e a sua afetuosidade é tão volátil quanto a sua necessidade de validação. Onde ele domina, o impulso é ganhar sem dar. Para reconhecer esse ego, é preciso a lucidez de observar ações, e não promessas. Quem ama valoriza a presença, a conexão, o respeito. Não faz da conquista um troféu, mas um compromisso de jornada.…
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O ego que nele habita
Não é o masculino que causa a dor, mas o ego que nele habita. Digo isso de dentro. Conheço esse ego e conheço a sua economia. Ele não ama: consome. Vê o outro não como um ser em plenitude, mas como um meio de preencher os próprios vazios. É atraído pelo que pode obter, e a sua afetuosidade é tão volátil quanto a sua necessidade de validação. Amar de verdade requer habitar um lugar onde o eu se torna secundário ao nós. Exige a vontade de ver e acolher o outro por completo, respeitando a integridade da sua essência. O ego egocêntrico vê o outro como mercadoria emocional, e a…
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Critérios de papel glassé
É notável, e por vezes desconcertante, a velocidade com que nos lançamos em relacionamentos baseados em critérios de papel glassé: frágeis, transitórios e visualmente sedutores. Muitos parecem ter perdido a capacidade de definir o que realmente importa e, órfãos de critérios sólidos, acabam aceitando qualquer presença que preencha o vazio imediato. Nesta cultura de aparências, onde o invólucro se tornou o centro das atenções, a beleza física, esse critério tão efêmero quanto cruel, tornou-se o único ponto de atração. Relacionamentos baseados apenas no desejo visual ou na conveniência social não possuem raízes. São plantas sem solo, destinadas a secar ao primeiro sol da realidade. Amar exige a maturidade de saber…
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Amar é comparecer
Do rigor da razão brota a lógica; do pulsar do coração, a arte. Em nossa estrutura íntima, essas duas estradas se cruzam, tecendo histórias que a alguns comovem e a outros parecem inconcebíveis. A razão é a âncora que nos prende ao chão implacável da realidade, e o coração é o vento que dá movimento à jornada. A grande audácia existencial não é escolher entre eles, mas exigir ambos. Tratar a razão e o coração como inimigos é um erro comum. São velhos companheiros que, quando em harmonia, equilibram o nosso caminhar. Ter a coragem de sentar à mesa com essas duas forças é um privilégio árduo: é a honra…
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Não sangrar no esquecimento
Gosto de pensar que Jesus me ama. Diante do peso dos dias e da complexidade da nossa própria mente, só essa certeza já atua como um alívio imensurável, uma âncora de sanidade afundada no meio das nossas turbulências. Sentir-se alvo do afeto divino é como abrir uma janela em um quarto escuro, não porque a luz resolve os dilemas que estão no chão, mas porque ela nos lembra de que não estamos abandonados no escuro. Há um mistério incompreensível na ideia de que a primeira faísca de vida em nós é fruto de um amor que nos antecede. Se a narrativa do apóstolo João nos lembra que Deus amou o…
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Saber vazio
Há uma inquietação que me acompanha há tempos, uma pergunta que, por teimosia ou necessidade, recuso-me a silenciar. Fomos ensinados que ter dúvidas é um sintoma de fraqueza espiritual. Mas hoje percebo que expor a nossa incerteza é a única porta de entrada para a luz. Muitos vivem aprisionados em meias-verdades e fés superficiais simplesmente porque nunca tiveram a coragem de confessar a própria ignorância. Para sermos preenchidos, precisamos primeiro ter a coragem de nos esvaziar. O ato de entregar a nossa dúvida a Deus, reconhecendo que o nosso conhecimento é incompleto, trêmulo, mas sincero, é o que chamo de “saber vazio”. O saber vazio não é a ausência de…




















