Educação & Cuidado

Quinze decisões para o casamento

Circula há anos, em correntes de e-mail e em grupos de mensagem, uma lista de setenta e sete decisões para o casamento à luz da Bíblia. Recebi a minha cópia como quase todo mundo recebeu a sua, sem autor e sem origem.

Ao conferir os versículos, encontrei referências trocadas e itens em que a orientação e o texto bíblico citado tratavam de coisas diferentes. Encontrei também cinco conselhos que eu não repetiria a nenhum casal que me procurasse.

Um deles diz que por trás de um marido passivo há quase sempre uma esposa rixosa. Outro aconselha a esposa a ser um pouco cega para as faltas do marido. Um terceiro manda fechar a porta do divórcio sem qualquer ressalva, e cita justamente Malaquias 2:16, que condena o repúdio e, na mesma frase, condena “aquele que encobre a violência com a sua roupa”. O texto bíblico traz a violência para dentro do assunto, e o conselho a ignora.

Restaram quinze. Todas as referências foram conferidas.

A palavra

1. Fale com a intenção de edificar, e não de vencer. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para edificação (Efésios 4:29).

2. Ouça antes de responder. O que responde antes de ouvir comete estultícia (Provérbios 18:13).

3. Cuide do tom antes de cuidar do argumento. A resposta branda desvia o furor (Provérbios 15:1).

4. Evite as generalizações que fecham a conversa: você sempre, você nunca, todas as vezes. A língua dos sábios é saúde (Provérbios 12:18).

5. Seja pronto para ouvir e tardio para falar. É a ordem, e ela não é decorativa (Tiago 1:19).

O conflito

6. Ataque o problema, não a pessoa.

7. Não acumule. Resolva no dia. Não se ponha o sol sobre a vossa ira (Efésios 4:26).

8. Admita o erro cedo, quando estiver errado. E resista à vontade de vencer, quando estiver certo.

9. Perdoar não é esquecer nem fingir que não houve dano. É deixar de cobrar. Perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou (Efésios 4:32).

10. Sarcasmo não resolve conflito. Adia e agrava.

O outro

11. Aprenda como o seu cônjuge reconhece o afeto, porque provavelmente não é do mesmo modo que você. Gary Chapman organizou isso em cinco linguagens: palavras de afirmação, tempo de qualidade, atos de serviço, presentes e toque físico. O ponto não é o sistema, é a pergunta que ele obriga a fazer.

12. Olhe para o interesse do outro e não apenas para o seu. Não atente cada um só para o que é seu (Filipenses 2:4).

13. Honre e conheça. Coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher (1 Pedro 3:7). E amai as vossas mulheres como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25).

A casa

14. Sobre a intimidade, o texto de Paulo é de reciprocidade e de consentimento mútuo: não vos priveis um ao outro, salvo por mútuo consentimento (1 Coríntios 7:3-5). Reciprocidade não é obrigação, e consentimento não é formalidade.

15. Aprenda a distinguir necessidade de desejo, e converse sobre dinheiro antes que ele vire conflito. Aprendi a contentar-me com o que tenho (Filipenses 4:11).


E uma linha que não é decisão, é constatação: porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? (Amós 3:3).

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes - Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

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