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Para destruir um casamento
A família é a instituição primordial forjada pelo Criador. Antes de desenhar povos, erguer nações, estabelecer o Estado ou fundar a própria Igreja, Deus instituiu o matrimônio. A lógica é irrefutável: a sociedade nasceu a partir de um lar, e não o inverso. Ao criar Eva não do pó da terra, mas extraindo-a do próprio corpo de Adão, o Todo-Poderoso estabeleceu um simbolismo de unidade e interdependência. A família não é uma mera construção social moldável pelo tempo: é o epicentro do projeto divino. No Éden, o Criador não destinou o ser humano à solidão. O propósito do lar foi fundamentado na erradicação do isolamento, no refúgio do companheirismo e…
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A casa varrida
As Escrituras denunciam práticas de adivinhação e consulta aos mortos, e o livro de Isaías é explícito quanto a isso (8:19; 19:3). Vale uma precisão de vocabulário: a expressão traduzida como “espíritos familiares” verte o hebraico ‘ôb, que designa o espírito consultado por médiuns, e não espírito de família. O português sugere uma parentela que o original não afirma. Ainda assim, permanece a questão pastoral que a Igreja enfrenta há séculos: por que certas famílias repetem, geração após geração, os mesmos padrões de ruína? Há repetição observável no próprio texto bíblico. Abraão apresenta a esposa como irmã para se proteger, e Isaque faz exatamente o mesmo, no mesmo tipo de…
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Sem marcha nupcial
É trágico observar como a simplicidade orgânica das Escrituras é frequentemente esmagada pelo fardo das tradições humanas. Há aqui uma questão que ecoa através dos milênios: o casamento, sob o olhar de Deus, jamais dependeu de cerimônias pomposas nem de protocolos religiosos. Ele é, na sua essência, um pacto entre duas almas, uma aliança que o Criador sempre tratou na esfera do íntimo. Historicamente, o matrimônio não surge na Bíblia como sacramento litúrgico gerido por sacerdotes. No relato de Isaque e Rebeca, em Gênesis 24, há negociação familiar, há presentes, há o consentimento de Labão e Betuel, e ao fim Isaque a acolhe na tenda e ela se torna sua…
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Museu de dogmas
O estudo sistemático da fé transcende a investigação teórica sobre a natureza do divino: é uma radiografia da relação entre a crença e a marcha histórica da humanidade. Desde a aurora dos tempos, o ser humano anseia por um sentido que rasgue o véu do visível, capaz de abarcar tanto o mistério do cosmos quanto o abismo de si mesmo. Para muitos, a rendição a um Criador foi a resposta a essa angústia, e o que deu propósito ao fluxo caótico da vida. Longe de ser um artefato engessado, essa fé foi moldada e reformulada através dos séculos, em diálogo constante com as revoluções culturais, científicas e filosóficas de cada…
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Círculo de Oração
Cresci no Evangelho. Desde as minhas primeiras lembranças, minha mãe pertence ao Círculo de Oração. Foi nesse ambiente que fui formado: entre vozes de mulheres simples, mas cheias de Deus, que se reuniam para interceder quando muitos sequer sabiam o que era oração. Quando eu tinha por volta de cinco anos, o poder de Deus era visível na vida da minha mãe. Lembro-me nitidamente de uma tarde na Assembleia de Deus em Estrelinha, perto do campinho. Eram por volta das quinze horas. Minha mãe, junto com outras irmãs, estava no Círculo de Oração. Havia no ar um peso de glória, uma atmosfera de poder que permanecia depois do culto. De…
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Paz, meu jovem
Quando nos mudamos para Pedra dos Búzios, em Vila Velha, eu estava no início da adolescência. Comecei a frequentar a Primeira Igreja Batista de Primeiro de Maio (PIBPM). Depois da primeira visita, continuei indo: às vezes na Escola Bíblica Dominical, outras nos cultos de meio de semana e nos domingos. Quase parecia já um membro. Aos poucos, porém, fui deixando de ir. Tínhamos uma vizinha chamada Eni, casada com o Seu Francisco, a quem chamávamos, com carinho, de Titico. Ambos já idosos à época, por volta dos sessenta e poucos. Eni era uma senhora bonita, de pele clara, cabelos grisalhos, mais para o branco do que para o preto, e…

















