Não lembro quem era
Em 2010 escrevi um texto de despedida. Falava de constelações, de chuva tentando redesenhar traços no chão, de um reencontro futuro. Falava das digitais de amor que alguém tinha deixado impressas na minha pele.
Reencontrei esse texto agora, ao revisar os arquivos antigos. A dor daquela época está inteira ali dentro, e era grande.
Não lembro para quem escrevi. Não sei se a pessoa morreu ou se apenas foi embora.
Hoje dói outra coisa: ter esquecido quem deixou marcas que eu jurei que não sairiam.
Guardei o texto. Não guardei a pessoa.


