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O cronograma pessoal
A paciência é a porta de entrada para o verdadeiro entendimento de quem serve a quem. Quando nos debruçamos sobre a nossa própria pressa, somos confrontados com uma dura realidade sobre a servidão: um coração incapaz de suportar a demora revela uma alma que ainda não foi moldada pela quietude. Viver sem paciência é inaugurar, aqui e agora, o inferno da inquietação. Sem ela, transformamos o próprio peito em um terreno instável, um solo árido onde a paz prometida por Deus não consegue criar raízes. O impaciente sofre uma miopia espiritual: não consegue enxergar que o peso que esmaga o seu peito é, muitas vezes, colocado por ele mesmo. No…
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O cuidado em estado de alerta
O medo é uma presença constante, mas não é o algoz. Ele é o avesso exato da coragem, um espelho implacável que reflete as nossas profundezas e afere a medida da nossa humanidade. Ensina a cautela, forja a humildade e nos impede de encarnarmos heróis incautos, isentos da jornada de incertezas que faz da vida uma coisa inacabada e, precisamente por isso, bela. O encanto da existência reside nesse estado contínuo de quase, no detalhe que ainda nos escapa. Há uma legião de medos, cada qual com seu disfarce: o pavor de não chegar, o terror de não amar, o receio de falhar diante de um grande sonho. À primeira…
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Deus não concorre com a nossa agenda
O conforto não produz descrença. Há crentes com a vida inteira resolvida e há quem não tenha nada e não creia em coisa alguma. O que o conforto produz é a desnecessidade. Quando o cenário ao redor é confortável, quando a conta bancária traz segurança e o amanhã parece apenas uma repetição lógica do hoje, o milagre não chega a ser refutado. Ele deixa de ser requerido. A realidade está domada, ao alcance das mãos, e ninguém pede socorro de dentro de casa. Mas o que acontece quando a vida, em suas reviravoltas implacáveis, nos empurra para fora do nosso domínio? É no exato milissegundo em que o chão cede…
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Mapear as próprias limitações
Existe uma condição essencial para provarmos da graça de forma genuína: precisamos ter a coragem de olhar para dentro. Sem um profundo conhecimento de quem somos, e da presença silenciosa de Deus em nosso interior, a vida espiritual não passa de uma teoria vazia. O primeiro passo dessa jornada é o golpe mais duro contra o nosso orgulho: reconhecer que, por nós mesmos, somos insuficientes. Tudo o que conseguimos reter nas mãos não é mérito exclusivo nosso, mas um empréstimo contínuo do Doador. Quando reconhecemos essa dependência, nasce uma gratidão limpa, sem as amarras da arrogância. E é dessa gratidão que brota uma paciência muito específica, capaz de transformar até…
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Aquilo que retemos por medo
Nós gostamos de acreditar que estamos no comando. Organizamos nossos dias, antecipamos as crises e carregamos o peso das nossas responsabilidades como se o mundo fosse parar de girar caso soltássemos as rédeas por um segundo. Construímos a nossa segurança sobre a ilusão do controle. Mas então a vida pesa, o cansaço cobra a conta, e somos forçados a encarar uma verdade amarga: por nós mesmos, não conseguimos sustentar a arquitetura da nossa própria existência. É exatamente nesse ponto de exaustão, quando as nossas certezas ruem, que o conselho do Salmo 37:5 nos confronta: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e Ele tudo fará.” Entregar o caminho não…
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Senhor de si
A que ponto chega a crueldade humana? Pergunto se o progresso e o avanço tecnológico fizeram de nós homens de primeiro mundo. E pergunto o que significa primeiro mundo. Um país desenvolvido economicamente? Tecnologicamente? Ou um lugar onde as pessoas aprenderam a dominar o próprio lado instintivo? Fico com a terceira definição, e é justamente ela que não se sustenta. O domínio dos instintos também serve ao mal. O hipócrita domina os seus, e domina para o mal. O calculista domina os seus e espera. O psicopata é, entre todos, o mais senhor de si. O autodomínio mede quanto alguém consegue segurar. Não diz nada sobre para onde vai o…
















