O queijo da ratoeira
A verdadeira riqueza jamais poderá ser mensurada apenas pelo tilintar de moedas. Ela é, na origem, uma qualidade do ser, uma expressão da essência que transborda. E há nisso a percepção de que, por mais generosos que sejamos, jamais empataremos com o Divino. Não competimos com a Fonte: apenas nos entregamos ao privilégio de participar dessa generosidade.
Nessa caçada pelas nossas realizações, é vital manter a lucidez: o único queijo gratuito é o da ratoeira. Em um mundo que mercantiliza atalhos, esbarramos na armadilha da prosperidade ilusória, aquilo que parece ganho fácil e que atrofia a nossa liberdade. A gratuidade desprovida de esforço é uma prisão com paredes acolchoadas.
A prosperidade real, pelo contrário, é cultivada com a resiliência de um jardineiro que domina o tempo das sementes, honrando o processo e o rigor das estações. A saúde, o amor e o bem exigem preparo, intenção e constância.
E é preciso dizer que a prosperidade não é um ascetismo que renega a matéria. Ela é a tradução física de uma vida organizada. É alcançar a liberdade literal de escolher o teto que nos abriga, o bairro que nos acolhe e o carro que nos conduz. É a capacidade concreta de garantir um plano de saúde para os pais, presentear quem amamos sem olhar a etiqueta e oferecer uma educação de excelência para a filha e para a sobrinha.
Mais do que acúmulo, ser próspero é segurar nas mãos a moeda mais cara da existência: o tempo livre para viver os próprios termos.
Para abraçar o novo, porém, é preciso desapegar-se do que já apodreceu. A pobreza de espírito é a prisão daqueles que vivem obcecados pelo que lhes falta.
Viver de forma próspera não é cruzar uma linha de chegada estática. É estar em paz com o que se é hoje, enquanto se pavimenta com sabedoria a liberdade do amanhã.


