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Lá fora, primavera
Quando o sol entra pela janela do meu quarto, um novo dia floresce em seus raios dourados, e sinto o coração despertar em sintonia com a vida que renasce. A alegria, leve e fresca, é como uma festa que dança no ar e enche meu jardim de promessas. Lá fora, é primavera; dentro de mim, um verão vibrante. Estou aquecido pelo amor, pleno de felicidade. Tudo resplandece em uma beleza intensa, como se visse o mundo pela primeira vez. A primavera vem, e com ela vejo apenas flores, apenas rosas em meu caminho. Sou amado, e essa certeza é o solo fértil da minha existência.
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Sem forma e vazia
Meu mundo é o caos, uma vastidão de desordem onde tudo se perde e se dissolve. Não consigo distinguir objetos, não há linhas ou horizonte, apenas um vazio nebuloso onde o sentido se esvai. A cada olhar, vejo apenas a desordem, e me torno estrangeiro em mim mesmo. O caos é, em sua essência, a ausência de sentido. Nele deixo de imaginar, e sem imaginação perco minha arte. Esse vazio incita uma busca por algo que o preencha. Mas como preencher o que já não reconhece forma? Como saciar um espaço onde tudo é sem contorno, sem delimitação? Ao tentar entender a natureza do vazio, sinto que perco a própria…
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Escrita sem borracha
“Corre…” Foi a única coisa que ouvi do passado. Sem hesitar, obedeci. Corri como se houvesse um destino a alcançar, como se pudesse deixar para trás o que me trouxe até aqui. Corri, tentando superar o próprio tempo, mas o tempo, incansável, continuou. Em meio ao esforço, eu cansei; o tempo, imune ao cansaço, prosseguiu. Segui mais devagar, sem o fôlego que eu tinha no começo, mas com uma sensação de que algo, ou talvez eu mesmo, ficava para trás. Cheguei a um lugar que agora já me é desconhecido. Estou entre o “ir” e o “chegar”, preso a essa linha tênue onde tudo parece avançar e ao mesmo tempo…
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O que não exige raízes
A vida, em sua essência, é um chamado à frutificação. Quando cuidamos dela com zelo, os frutos que colhemos carregam significado. Cada ato de cuidado se transforma em um gesto de criação, como quem desenha no tempo uma obra. Nos dias de hoje, a experiência de vida é confundida com experiências que apenas desgastam. Caminhos que prometem intensidade e atraem com promessas de liberdade acabam por ser laços que nos prendem à superficialidade. O que nos atrai para esse vazio? Talvez uma força que nos prende ao visível, como se o imediato fosse o limite da existência. A frutificação da vida exige um cuidado atencioso, uma disposição interior para o…
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O que posso transformar em mim
O que é, afinal, essa vida que vivemos? Somos jogados entre tantas mudanças, em meio a desgraças e bênçãos que se entrelaçam de forma caótica. O que significa ser íntegro em uma sociedade que parece desintegrar-se a cada dia? Como cultivar valores em um ambiente onde a essência humana se dissolve? De que adianta planejar o futuro, se os projetos de tantos parecem caminhar rumo à própria ruína? E então me pergunto: o que posso transformar em mim que permita a mudança no outro? Viver é respirar com propósito e fazer do próprio ser um canal de vida para os outros. O mundo, com seu sistema de morte, sufoca…
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Um grito sem eco
Quem pode responder minhas perguntas? De onde vim? Por que nasci? Para onde vou? Qual o propósito da minha existência? Por que o mal, o sofrimento e a morte me cercam? Essas questões ecoam em minha mente como um sussurro constante, impossível de ignorar. Não consigo viver com a simplicidade dos animais, que parecem livres dessas inquietações. Busco respostas, mas a cada descoberta encontro um novo abismo de dúvidas. Filosofia e religião oferecem teorias, mas cada uma me faz tropeçar em um novo mistério. A realidade parece crua: nasci por acaso, vivo por necessidade, e um dia, inevitavelmente, desaparecerei. Poderia não ter nascido; poderia não estar vivendo agora. Mas não…
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Instantes
Continuando a reflexão iniciada em Ninguém me pediu para escrever… Prometi escrever sobre a vida. Hoje descubro que é mais fácil prometer. A vida não se entrega inteira a quem escreve. Oferece pistas, fragmentos, impressões, e recolhe o resto. Pensei em falar dela como luta, como campo de batalha. Pensei em chamá-la de dádiva. As duas coisas são verdade e nenhuma basta, porque a vida é também aquilo que escapa justamente quando acreditamos ter compreendido. O que ela exige de mim? Presença. Não de corpo apenas, mas de alma desperta. Ela pede que eu esteja inteiro mesmo quando estou em pedaços. O que ela oferece? Instantes. Não promessas eternas, lampejos…
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Ninguém me pediu para escrever
Ninguém me pediu para escrever. Não houve convite, não houve encomenda, não houve amigo insistindo. Houve um impulso: a vontade de dizer alguma coisa ao mundo mesmo sabendo que o mundo não estava escutando. Começo com mais hesitação do que certeza. Não sei quem vai ler, nem se alguém lerá. Sei apenas que algo precisava sair, uma palavra, uma pergunta, um incômodo. Escrever, aqui, é menos comunicar do que escutar o que pulsa dentro e tentar dar nome ao que ainda não tem nome. Este espaço nasce da solidão pensante. Do desejo de entender o que nos move e o que nos trava, neste mundo que se esconde atrás de…






















