Antes do pedido
Atingir o cume provoca vertigem, uma plenitude passageira que expõe a aspereza de todo o trajeto percorrido. Mas o topo é apenas um mirante para quem já compreendeu que o maior troféu nunca foi a altitude em si, e sim o propósito que pavimentou a subida.
Para que a realização não seja oca, a alma precisa aprender a dançar no compasso dos propósitos divinos. Descobrir a vontade de Deus para a nossa vida é decifrar uma melodia que já ecoava muito antes da nossa existência. O triunfo autêntico não brota do cumprimento obsessivo da nossa própria agenda, mas da rendição à sinfonia que Ele compôs, permitindo que os nossos passos soem como os acordes exatos na hora exata.
É tentação frequente exigir que Deus se molde aos nossos planos, reduzindo-o a fiador das nossas expectativas. O segredo da vida abundante reside na rota inversa: o realinhamento. É a coragem de nos curvarmos diante do mistério das Suas intenções.
Há uma inquietude crônica no peito humano que só é pacificada quando compreendemos o nosso chamado para habitar nEle. E Ele anseia fazer morada em nós. Esse encontro não admite superficialidade: é uma fusão de vontades, na qual deixamos de ser os arquitetos das nossas próprias ruínas.
Ao ajustarmos a nossa frequência à de Deus, o atrito revela que os nossos próprios desejos frequentemente carregam sombras, desvios e vaidades que nem sequer registrávamos. Estar com Deus transcende a realização pessoal: é autorizar que Ele revele quais são os desejos dEle para nós.
A busca pela essência deve preceder o pedido.


