A prisão que você aceitou

As estações mudam, e com elas nossos olhos podem aprender a ver o mundo de novas maneiras. A cada estação, renascemos. E queria que você soubesse que também desejo isso para você: a transformação. Queria que, a cada dia, você se descobrisse novo, que abraçasse a impermanência como quem desvela o mistério de existir.
Mas você se torna pedra, imóvel e resistente, celebra a inércia como se ela fosse virtude, sem perceber o quanto ela o afasta da vida.
Eu queria ver em seu olhar o brilho do inesperado, a coragem de se surpreender consigo mesmo. Mas você não se permite esse jogo, não conhece a arte da surpresa. Seu olhar permanece o mesmo, preso, sem novidade.
E quem se importa? Eu me importo. Mas e daí, se você ainda não aprendeu a se importar consigo mesmo?
Eu queria ser alguém melhor do que sou. E você, o que quer para si? Será que entende o valor do querer? E, se entende, será que o querer vale mais que o ter?
Vivemos em uma sociedade que valoriza a superficialidade, que ensina o conforto das certezas prontas e nos priva da liberdade que vem com o questionamento. Você, assim como tantos outros, aprendeu o que talvez seja um dos maiores enganos: o conformismo disfarçado de segurança.
Quando foi que sua vontade se tornou a vontade do outro? Quando foi que seu desejo foi trocado pelo medo? Quando é que você vai se libertar dessa prisão que você mesmo aceitou?



