O que não exige raízes
A vida, em sua essência, é um chamado à frutificação. Quando cuidamos dela com zelo, os frutos que colhemos carregam significado. Cada ato de cuidado se transforma em um gesto de criação, como quem desenha no tempo uma obra.
Nos dias de hoje, a experiência de vida é confundida com experiências que apenas desgastam. Caminhos que prometem intensidade e atraem com promessas de liberdade acabam por ser laços que nos prendem à superficialidade. O que nos atrai para esse vazio? Talvez uma força que nos prende ao visível, como se o imediato fosse o limite da existência.
A frutificação da vida exige um cuidado atencioso, uma disposição interior para o trabalho silencioso da alma. Cuidar da vida é cuidar do que está por vir. É plantar agora o que, um dia, será colhido.
Mas poucos querem esse esforço. Muitos preferem o rápido, o que não exige raízes.


