O grito e a quietude
Há, nas profundezas de cada um de nós, uma voz que sussurra e outra que grita. Uma força que nos empurra para a criação, para o encontro e para o amor, e outra que, silenciosa e implacável, nos atrai de volta para a quietude.
A primeira é sede de expansão. Impulsiona a transcender o que somos, a tentar tatear o infinito por dentro do efêmero. É o desejo de crescer, de aprender, de arrancar a verdade escondida no âmago de todas as coisas. Revela-se na urgência da arte, no calor do encontro, na promessa do futuro.
A segunda nos recorda a transitoriedade de tudo o que tocamos. Convida a encarar o fim não como carrasco, mas como mestre severo que revela o limite. É o impulso que nos faz mergulhar na própria sombra, esgotar as ilusões e descobrir que, do outro lado do limite, reside uma vastidão incompreensível.


