Comportamento
Artes & Narrativas
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A Crueldade do Homem Moderno: Reflexões sobre a Condição Humana
A que ponto chega a crueldade humana? A que profundezas desce a maldade que habita no coração do homem? Questiono se o progresso e o avanço tecnológico realmente fizeram de nós “homens do primeiro mundo.” Que homens são esses? Homens de verdade, ou criaturas que perderam a essência do que é ser humano? A crueldade que nos espanta e nos revolta talvez seja o reflexo de uma sociedade que, em busca de poder e domínio, esqueceu-se da compaixão, da empatia e da própria alma. E então, surge a dúvida: será que queremos mesmo imitar esses modelos? Será que o preço da modernidade é a perda da nossa própria humanidade? Quando…
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A Arte de Ver: O Poder da Perspectiva no Caminho para a Realidade
Vivemos em um sistema que, em sua essência, revela-se destrutivo e injusto. A justiça, que idealmente deveria ser o pilar de equilíbrio e retidão, torna-se um símbolo da própria cegueira. Ao não enxergar, ela perde a capacidade de reconhecer a realidade, limitando-se a tentar, muitas vezes sem sucesso, medir o que é por natureza subjetivo e intangível. E, assim, a justiça adota suas próprias lentes, as mesmas que também utilizamos na vida, acreditando muitas vezes que nossa visão é imparcial. Mas, como a justiça, nossa interpretação do mundo é inevitavelmente moldada pela forma como o observamos. Quando coloco um par de óculos escuros, vejo o mundo sob uma tonalidade mais…
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Visão e Propósito: Caminho para a Evolução Pessoal
Os dias, em sua passagem implacável, vão consumindo nossas forças, e o esforço de abrir caminhos nos enfraquece. A vontade de alcançar a chegada é tamanha que a ansiedade toma conta do coração, enchendo-o de pressa. Com os olhos fixos na meta, muitas vezes esquecemos de quem está ao nosso lado. Deixamos de ver aqueles que caminham conosco, como se eles fossem apenas sombras no caminho. Esquecer por ausência pode ser compreensível, mas esquecer porque escolhemos não ver o outro é uma escolha imperdoável. A cada dia que passa, me convenço mais de que enxergamos apenas aquilo que estamos dispostos a ver. Ter uma visão do futuro é, em essência,…
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O Sorriso como Essência dos Relacionamentos: Lição de Tio Fábio
Tio Fábio, um sábio homem do interior, Deus o tenha, sempre foi um grande amante do circo. Lembro-me bem de quando ele, com seus dedos amarelados pelo cigarro, me levou a um espetáculo quando eu ainda era garoto. Apontou para o palhaço que me arrancava gargalhadas e, com um brilho no olhar, disse algo que só agora entendo por completo: “Pense nesse palhaço quando for escolher as pessoas para ter ao seu lado.” Amigos, amores, namoradas, todos precisam carregar essa luz do sorriso fácil, do humor espontâneo que torna a vida mais leve. Não era apenas teoria para Tio Fábio; na prática, ele mesmo parecia ser uma dessas figuras…
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Quando o Vento Soprou ao Contrário
A aula tinha acabado. Já passava das 11h30 da manhã. Como de costume, o laboratório de informática da Estácio de Sá, em Vila Velha, ficava aberto aos alunos após as aulas. Saí da sala refrigerada e fui de encontro ao calor escaldante do corredor externo. Senti a pressão do ar quente no rosto. O vento seco, misturado à poeira dos paralelepípedos da rua, me tocava como quem empurra sem pedir licença. A luz era intensa, quase agressiva. Do outro lado, vi o colégio Darwin, imponente. E, por um instante, algo estranho me atravessou: uma saudade do que nunca vivi. Um lamento suave do que poderia ter sido e não foi.…
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O Vislumbre: A Dança Eterna na Névoa dos Sonhos
Olhos fechados, mergulho na sombra do sonho. Surge uma névoa, um manto de brancura que envolve o verde de um jardim escondido, onde o real se dissolve e o eterno se revela em suspiros de silêncio. Naquela atmosfera de mistério e encanto, ela surge — uma figura tão delicada quanto majestosa, uma donzela vestida de bruma, envolta em um vestido branco que parece feito de aurora e alvura. Ela dança, com passos descalços, como se a terra lhe pertencesse e o céu a abençoasse. É como se o próprio ar a sustentasse, e cada movimento seu fosse uma prece ao tempo, um verso de saudação ao universo. Seus pés…
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A Arte do Relacionamento: O Equilíbrio entre Amor e Verdade
O que é, afinal, um bom relacionamento? Talvez seja algo simples e profundo ao mesmo tempo: a consistência da minha felicidade entrelaçada à busca da felicidade do outro, um laço sustentado na verdade e no amor. A busca frenética por uma rede de contatos, por “amigos” adquiridos através da técnica e de interesses mascarados, não forma vínculos saudáveis, mas sim estruturas frágeis, construídas sobre a areia do fingimento. Hoje, amizades superficiais corroem a humanidade, formando pessoas insatisfeitas e solitárias, que enxergam no outro não uma criação divina, mas um objeto de manipulação, uma peça a ser ajustada para atender interesses. Por outro lado, o relacionamento genuíno não pode estar apoiado…
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O Caminho da Misericórdia: Oportunidade, Arrependimento e Recomeço
Em toda a história do povo hebreu, a presença de Deus se manifesta em Sua infinita misericórdia, como uma longa e paciente espera pelo retorno de Seus filhos. Ele oferece oportunidades de arrependimento antes de qualquer correção, uma mão estendida que nunca se cansa de apontar o caminho de volta. Sua longanimidade não é uma concessão passiva, mas um convite ativo à renovação, um chamado silencioso para que a alma se liberte do erro e retorne ao que é verdadeiro e puro. Quando transgredimos a lei, Deus nos dá, uma vez mais, a chance de reconhecer nossas falhas. Ele nos apresenta a oportunidade de recomeçar, de corrigir o erro e…
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Entre o Passado e o Presente: A Corrida Infinita
“Corre…” Foi a única coisa que ouvi do passado. Sem hesitar, obedeci. Corri como se houvesse um destino a alcançar, como se pudesse deixar para trás o que me trouxe até aqui. Corri, tentando superar o próprio tempo, mas o tempo, incansável, continuou. Em meio ao esforço, eu cansei; o tempo, imune ao cansaço, prosseguiu. Não parei. Continuei, mas o tempo também. Ele sempre ultrapassa, sempre à frente, sempre um passo além do que posso alcançar. Segui mais devagar, sem o fôlego que eu tinha no começo, mas com uma sensação de que algo, ou talvez eu mesmo, ficava para trás. Cheguei a um lugar que agora já me é…
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Último Dia em Primeiro de Maio
Lá no bairro Primeiro de Maio, eu tinha entre dezesseis e dezoito anos. Foi a última vez do meu pai como pastor daquela pequena igreja; saímos, e meu coração pesou. No derradeiro culto, percebi que o de Paulinha também pesou: as lágrimas vieram, só então. A história começara uns dois anos antes. Paulinha era uma adolescente que ia à igreja mais pelos pais do que por si. Não era firme. Chegava com a mãe e o pai, já idoso à época; a mãe, mais nova, também senhora. Ela se aflorava, como eu. Naquele tempo, não havia professor para a Escola Bíblica Dominical; escolheram-me, não por vocação, mas por falta de…



























