Por fora e por dentro
O que é, afinal, um bom relacionamento? Talvez seja algo simples e profundo ao mesmo tempo: a consistência da minha felicidade entrelaçada à busca da felicidade do outro, um laço sustentado na verdade e no amor.
A busca frenética por uma rede de contatos, por “amigos” adquiridos através da técnica e de interesses mascarados, forma estruturas frágeis, construídas sobre a areia do fingimento. Amizades superficiais corroem a humanidade, formando pessoas insatisfeitas e solitárias, que enxergam no outro um objeto de manipulação, uma peça a ser ajustada para atender interesses.
Nossos julgamentos e opiniões nascem de um ponto inicial em nós, uma série de pressupostos que trazemos na nossa bagagem interna. E tendemos a pensar que estamos certos enquanto o outro, por discordar, está errado. Com frequência, a nossa primeira reação é desarmar o pensamento oposto, como se estivéssemos fazendo um bem ao outro ao trazê-lo para a maravilhosa luz de nossa pretensa sabedoria. Ao agir assim, corremos o risco de fragmentar o outro, de impor nossa visão como uma forma de violência sutil.
Um bom relacionamento requer equilíbrio, uma doação generosa de pequenas doses de verdade e amor. Uma amizade sustentada apenas no afeto pode parecer instável, enquanto um relacionamento que se apoia apenas na verdade pode se transformar em algo rígido e estéril. A amizade baseada no amor sem a presença da verdade pode destruir a pessoa por fora, enquanto a verdade sem amor pode devastar alguém por dentro.
O equilíbrio é a trilha mais acertada e, ao mesmo tempo, a mais difícil.
Em um relacionamento, mesmo quando temos argumentos sólidos e uma capacidade de expressão aguçada, vale a pena refletir antes de confrontar o outro. Às vezes, silenciar e oferecer ao interlocutor um sorriso genuíno pode ser mais poderoso do que qualquer discurso ou correção. É um ato de respeito, que permite ao outro encontrar o próprio caminho sem a invasão de nosso território mental.


