A claridade arde
Cheguei à filosofia em 2008, pelos cursos de Olavo de Carvalho. Os autores mencionados aqui eu conheço por essa via, e não por leitura direta.
O sol, estrela grandiosa que queima com fulgor indomável, carrega seus limites no abraço que dá à Terra. Ele reina como um soberano que ilumina sem jamais tocar, um centro de gravidade que atrai e transforma. E sua majestade nos lembra continuamente de que há algo além de sua própria luz. Como Platão ensinou, o sol visível é um prenúncio, uma pálida lembrança da Forma pura que está além de tudo o que brilha neste mundo.
Há uma tragédia humana na relação com a claridade: há quem ame a sombra e escolha se perder no frio vazio das cavernas. Rejeitam o chamado, recusam o incômodo da clareza. Vivem como espectros daquilo que poderiam ser, apavorados com o que a luz revelaria sobre eles mesmos. A luz expõe, traz a sujeira à tona, e muitos preferem a fuga. Rejeitar a luz é resistir à forma e se dissolver nas névoas de uma vida sem raízes.
Mas a alma que tem a coragem de acolher essa claridade dentro de si encontra mais do que aquecimento. Jesus é o Sol da Justiça, a Estrela da Manhã que rasga a noite da humanidade. Não é uma luz distante ou teórica: é uma luz invasiva, que pulsa no limite entre a carne e o espírito. Cristo é a alvorada que inaugura a manhã do lado de dentro.
É verdade que a noite que atravessamos, muitas vezes, é densa e demorada. A esperança é uma virtude heroica que dança exatamente no limite do desespero, e a fé só brilha com força onde tudo parece perdido.
Portanto, não espere por um nascer do sol romântico. Deixe que o Sol vivo resplandeça com toda a sua força, mesmo que a princípio a claridade arda nos olhos.
Quando a Luz verdadeira entra, ela queima o que é falso.


