Massa e volume
A fé é uma força que nos arrebata e nos transcende. É a certeza que finca raízes no espírito, revelando-se muito mais do que uma crença passiva ou um otimismo cego: é um saber profundo, uma convicção que rasga o véu do visível. Ao refletir sobre a anatomia da fé, deparo-me com a sua natureza insubmissa, aquela que zomba da lógica e vai além da confiança ordinária.
Essa fé tem a sua nascente em Cristo, que uniu em Si mesmo a natureza divina e a humana. É por meio dEle que recebemos uma convicção que não oscila ao sabor das circunstâncias ou do medo, e que é plantada na alma pela semente da Palavra. A escritura é clara: a fé vem pelo ouvir. Mas, ao ser gerada, ela exige um destino. A nossa fé é devolvida Àquele que a inaugurou, o Autor e Consumador. Nasce nEle, atravessa o nosso ser e a Ele retorna.
O triunfo que experimentamos não é um troféu para o nosso ego, mas a manifestação da vitória do próprio Cristo operando na densidade da matéria. Por isso a fé repudia a estagnação: é fluida, viva e incansavelmente prática. Quando os discípulos imploraram por mais fé, o Mestre os lembrou de que o poder não reside na quantidade do sentimento, mas na audácia de utilizá-lo. A fé é a ponte pênsil entre o invisível e o visível.
E, como adverte a epístola que carrega o meu nome, a fé sem obras é morta. A convicção clama por um corpo. Realiza-se na concretude das nossas decisões, na coragem das nossas atitudes e na forma como permitimos que o divino altere a nossa rotina.
O milagre, no fim das contas, não é mágica. É a fé ganhando massa e volume.


