Tiago Rizzolli

Reflexões sobre a condição humana, a fé e as estruturas do mundo.

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  • Artes & Narrativas

    A marcha lenta

    15 de dezembro de 2007 / No Comments

    Eu tinha entre dezessete e dezoito anos, no bairro Primeiro de Maio. Foi a última vez do meu pai como pastor daquela pequena igreja. Saímos, e meu coração pesou. A história começara uns dois anos antes. Ela era uma adolescente que ia à igreja mais pelos pais do que por si. Não era firme. Chegava com a mãe e o pai, já idoso à época; a mãe, mais nova, também senhora. Naquele tempo não havia professor para a Escola Bíblica Dominical. Escolheram-me, não por vocação, mas por falta de opção. Eu, adolescente, dava aula a adolescentes. Por lealdade e pudor, redobrei o cuidado com as meninas da minha idade, distância…

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  • Artes & Narrativas

    Você não gosta?

    22 de janeiro de 2007 / No Comments

    Eu tinha uns treze anos. Em Gurigica, na antiga casa perto da rua, havia um quarto pequeno, com uma janela direta para a rua e uma porta voltada para a sala. Foi ali que minha bisavó passou os últimos dias. Depois virou quarto de visita. O guarda-roupa era de madeira maciça, desses que não se fazem mais, com um espelho grande no centro. Ela estava de frente para o espelho. Olhava-se com a atenção de quem faz uma pergunta ao próprio reflexo e espera uma resposta que o reflexo não pode dar. Eu olhava diretamente para ela, sem a intermediação do vidro. Ela via uma versão de si mesma. Eu…

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  • Artes & Narrativas

    O Chocolate Curvado

    15 de janeiro de 2007 / No Comments

    Eu tinha entre dezesseis e dezessete anos e era professor de Escola Dominical para pessoas da minha própria idade. Era no bairro Primeiro de Maio, em Vila Velha, por volta de 2002. Aos domingos subia e descia as escadas do segundo piso com a regularidade das coisas que viram ritual sem que ninguém decrete. A sala de aula ficava em cima. Havia o que aprender, e havia pressa em aprender, porque logo seria preciso ensinar. Depois da Escola Dominical, iríamos desenvolver um trabalho. A maioria tinha faltado. Menos ela. O olhar dela já era afetuoso havia algum tempo. Eu via e não processava. Ou processava e escolhia não saber. Naquele…

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  • Filosofia & Teologia

    Paz, meu jovem

    18 de dezembro de 2006 / No Comments

    Quando nos mudamos para Pedra dos Búzios, em Vila Velha, eu estava no início da adolescência. Comecei a frequentar a Primeira Igreja Batista de Primeiro de Maio (PIBPM). Depois da primeira visita, continuei indo: às vezes na Escola Bíblica Dominical, outras nos cultos de meio de semana e nos domingos. Quase parecia já um membro. Aos poucos, porém, fui deixando de ir. Tínhamos uma vizinha chamada Eni, casada com o Seu Francisco, a quem chamávamos, com carinho, de Titico. Ambos já idosos à época, por volta dos sessenta e poucos. Eni era uma senhora bonita, de pele clara, cabelos grisalhos, mais para o branco do que para o preto, e…

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    10 de abril de 2012
  • Educação & Cuidado

    O único a aparecer

    11 de setembro de 2006 / No Comments

    Em minha adolescência, um dos lugares que mais amava frequentar era o Vitória Futebol Clube, um espaço que se tornou uma extensão da minha casa. Foi lá que me conectei com a natação, uma prática que abracei por dois ou três anos, graças ao programa da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Vitória. As pessoas me conheciam ali, e essa familiaridade me fazia sentir pertencente, mesmo quando o mundo adolescente parecia solitário. Além da natação, por um breve período, me aventurei na musculação, mas foi na piscina que vivi meus melhores momentos. Recordo-me de dias frios, quando a água parecia congelar a pele e a coragem era testada. Mesmo assim,…

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A angústia de ser A angústia de ser
A máquina não precisa do condutor para continuar a A máquina não precisa do condutor para continuar andando....
A nota nunca chega. A nota nunca chega.
Davi foi listando endereços: o céu, o abismo, os c Davi foi listando endereços: o céu, o abismo, os confins do mar, a escuridão que ele imaginava espessa o suficiente para servir de esconderijo. Não era geografia. Era um homem procurando um lugar que estivesse vago, e perdendo a discussão verso após verso, porque a resposta chegava antes dele: ali estás.
Passei anos achando que a pergunta era um itinerár Passei anos achando que a pergunta era um itinerário, que bastava reconstituir a saída e adivinhar a chegada e o meio se explicaria sozinho, como quem acha que entende uma casa olhando a planta. Mas tem uma coisa que não se move e por isso não pode ser rastreada, e não é o mistério que falta informação, é que ela não se aplica: o que apenas é não tem de onde nem tem para onde, está.
Descobri isso tarde, e ainda descubro.
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Sobre mim

Tiago Rizzolli é administrador, professor, pesquisador e ministro do Evangelho (Missão Apostólica Assembleia de Deus – CADEESO/CGADB). Movido pela busca constante de sentido nas relações humanas, atua na intersecção entre a educação, a gestão e a espiritualidade. Doutorando em Educação com foco em filosofia e pensamento crítico, é também Coordenador-Geral de Atendimento à Comunidade no Ifes – Campus Cariacica. Neste espaço, ele compartilha análises e reflexões que cruzam as fronteiras do rigor acadêmico com a vivência prática, a liderança institucional e a fé cristã aplicadas ao dia a dia.

Uma voz em defesa da dignidade humana!

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