Quando as tardes pegavam fogo em oração: memórias do Círculo de Oração com minha mãe
Cresci no Evangelho. Desde as minhas primeiras lembranças, minha mãe pertence ao Círculo de Oração. Foi nesse ambiente que fui formado: entre vozes de mulheres simples, mas cheias de Deus, que se reuniam para interceder quando muitos sequer sabiam o que era oração.
Quando eu tinha por volta de cinco anos, o poder de Deus era visível na vida da minha mãe. Lembro-me nitidamente de uma tarde na Assembleia de Deus em Estrelinha, perto do campinho. Eram por volta das quinze horas. Minha mãe, junto com outras irmãs, estava no Círculo de Oração. Havia no ar algo que não era apenas emoção religiosa: um peso de glória, uma atmosfera de poder que permanecia não só durante o culto, mas depois dele. De minha mãe emanava poder – e não apenas dela, mas de todas aquelas irmãs que sabiam o que era se derramar diante de Deus.
À tarde, o culto era dirigido por elas. Eram muitas mulheres. Eu, um menino ainda aprendendo a ser homem, estava ali, ao lado da minha mãe, assistindo em silêncio aquele trabalho intenso. O calor era escaldante, os templos daquele tempo mal tinham ventiladores, o suor escorria, mas nada disso era desculpa: as irmãs se uniam e se reuniam, dia após dia, para orar.
Naquele contexto, o foco não estava na performance musical, nem na fama de quem iria pregar. A motivação era simples e absoluta: orar. Buscar a face de Deus. Interceder. Chorar pelos filhos, pelos maridos, pela igreja, por vidas que elas talvez nunca conhecessem pessoalmente. Minha mãe era – e continua sendo – poderosa na oração.
Glória a Deus.


