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A Métrica da Cegueira
O escritório de Inácio cheirava a café velho e papel impresso. Sobre a sua mesa, relatórios e mais relatórios formavam torres que ameaçavam desabar a qualquer instante. Ele era o Analista Chefe do Departamento de Medição do Progresso, um cargo que, segundo seus superiores, era o mais importante da nação. Para Inácio e seus colegas, o mundo era simples: o “progresso técnico” era uma linha em um gráfico que devia apontar sempre para cima. E como se mede isso? Com toneladas de aço produzidas, sacas de grãos colhidas e a velocidade das linhas de montagem. Naquela noite chuvosa, Inácio revisava os escritos de um de seus teóricos favoritos, um homem…

