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O Peso da Âncora e a Linha do Horizonte
A luz fraca da luminária de mesa iluminava apenas o centro da prancheta de Elias, deixando o resto do escritório mergulhado nas sombras de um ano que já havia terminado, mas que teimava em não ir embora. Era meados de janeiro. Lá fora, o mundo falava sobre recomeços, resoluções e novas dietas, mas a mente de Elias estava ancorada no fracasso de novembro: a falência de sua pequena construtora. Ele passava os dias revisando os mesmos contratos antigos, procurando o erro exato, a vírgula fora do lugar que havia desmoronado seus planos. O passado havia se tornado sua residência permanente. Foi durante uma dessas madrugadas insones que um vento frio…


