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A Escada Interior: Memória, Perda e o Descompasso do Destino
Eu ouço um barulho que vem lá do fundo do coração.Quando fecho os olhos, apareço em uma escada. Lá em cima.Minha visão é de cima para baixo, e é para lá que olho. Vejo uma escada preta, com piso preto, corrimão preto; uma casa sem muita iluminação. O que se ilumina é apenas essa escada, que me convida a descer. De olhos fechados, a visão se abre, e eu desço: cada degrau é um ano, um ano de solidão, um ano de caminhada, um ano tentando capturar quem sou no que um dia fui. Ali, onde o eu foge de mim, onde a luz tenta fazer amizade com a escuridão,…
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Último Dia em Primeiro de Maio
Lá no bairro Primeiro de Maio, eu tinha entre dezesseis e dezoito anos. Foi a última vez do meu pai como pastor daquela pequena igreja; saímos, e meu coração pesou. No derradeiro culto, percebi que o de Paulinha também pesou: as lágrimas vieram, só então. A história começara uns dois anos antes. Paulinha era uma adolescente que ia à igreja mais pelos pais do que por si. Não era firme. Chegava com a mãe e o pai, já idoso à época; a mãe, mais nova, também senhora. Ela se aflorava, como eu. Naquele tempo, não havia professor para a Escola Bíblica Dominical; escolheram-me, não por vocação, mas por falta de…




