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A Escada Interior: Memória, Perda e o Descompasso do Destino
Eu ouço um barulho que vem lá do fundo do coração.Quando fecho os olhos, apareço em uma escada. Lá em cima.Minha visão é de cima para baixo, e é para lá que olho. Vejo uma escada preta, com piso preto, corrimão preto; uma casa sem muita iluminação. O que se ilumina é apenas essa escada, que me convida a descer. De olhos fechados, a visão se abre, e eu desço: cada degrau é um ano, um ano de solidão, um ano de caminhada, um ano tentando capturar quem sou no que um dia fui. Ali, onde o eu foge de mim, onde a luz tenta fazer amizade com a escuridão,…
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A infância dos “eus possíveis”
Ele não falava de sonhos de travesseiro, mas dos que exigem vigília: desejos que esticam o corpo para além do presente. Entre seis e nove anos, viu-se muitas coisas: executivo (o primeiro clarão), pastor com dons, bombeiro, do Exército, da Marinha, da Aeronáutica; administrador, político, secretário; médico, enfermeiro; professor, psicólogo, advogado, juiz; cantor, músico de banda; gari; estrangeiro na Europa; jogador de futebol, nadador; escritor, pregador itinerante; ator, filósofo, educador. Tantas vidas passaram por dentro e ele não foi todas. Aos quarenta, a sensação de que a vida correu sem pouso. Diz ter perdido vinte anos. Feridas de infância. Desde 2008, ápice e queda, vitórias sem celebração, opressões, traços de…




