O prisioneiro é o carcereiro
A existência exige, a cada batida de coração, a coragem de desbravar o incerto. Contudo, é frequente a nossa inclinação para o abrigo das sombras conhecidas, aquele espaço de dormência onde a falsa segurança rapidamente se transmuta em cárcere. Quando nos fechamos nesse panteão de hábitos, tornamo-nos nossos próprios carcereiros.
Essa jaula do passado não é habitada apenas por lembranças. É o depósito onde medos, traumas e arrependimentos se amontoam, forjando barreiras que nos exilam do agora e do amanhã. E o peso dessas correntes é tal que a mera intenção não basta para rompê-las.
Surge, então, a necessidade de um Libertador: uma força que venha de fora e alcance as profundezas da nossa escuridão. Ela precisa estar além do nosso campo de visão, porque, enquanto prisioneiros do ontem, a nossa percepção está atrofiada pelo próprio medo que projetamos no futuro. Quem é carcereiro de si mesmo não pode se libertar sozinho.
Esse Libertador pode ser encontrado na fé, em uma transformação profunda, ou na luz que outra pessoa traz à nossa noite.
Nesta batalha, descobrimos que, embora a força para a ruptura venha de fora, o desejo desesperado pelo ar puro precisa nascer nas vísceras do ser.



One Comment
Anônimo
Precisava desta palavra, obrigado!