O peso de uma embaixada
Se soubéssemos que as palavras que estamos prestes a proferir seriam as últimas, o que diríamos? A resposta a essa pergunta é a medida da nossa reverência diante do sagrado.
Cada palavra proferida por um servo de Deus deveria ser como uma centelha que atravessa o tempo, um fôlego capaz de rasgar o véu do cotidiano e transportar quem ouve para aquele espaço estreito onde o Eterno se encontra com o mortal. Um sermão nunca é apenas um discurso. É o peso de uma embaixada. Como um mensageiro que representa o seu Rei, quem sobe a um altar deveria falar com a sobriedade de quem sabe que aquela pode ser a sua última mensagem.
Em tempos de efemeridade, muitos têm tratado a eternidade com leviandade. Vemos o sagrado se perder na superficialidade de quem age como se o púlpito fosse um palco. O riso fácil e anestesiante substitui a reflexão, as piadas roubam o espaço do arrependimento e, sem que percebam, a congregação é roubada daquela profundidade que realmente transforma. Há uma pressa vaidosa em entreter, uma necessidade desesperada de ser aplaudido.
Quem entende a urgência do Evangelho prega com o mistério do Cristo que carregou a cruz em silêncio, sem espetáculo. Na verdadeira pregação não há artifícios, apenas a verdade crua e eterna, que é ao mesmo tempo o fardo mais pesado e o descanso definitivo da alma.
O púlpito não precisa de animadores de auditório. Ele exige reverência.


