O ego que nele habita
Não é o masculino que causa a dor, mas o ego que nele habita.
Digo isso de dentro. Conheço esse ego e conheço a sua economia. Ele não ama: consome. Vê o outro não como um ser em plenitude, mas como um meio de preencher os próprios vazios. É atraído pelo que pode obter, e a sua afetuosidade é tão volátil quanto a sua necessidade de validação.
Amar de verdade requer habitar um lugar onde o eu se torna secundário ao nós. Exige a vontade de ver e acolher o outro por completo, respeitando a integridade da sua essência. O ego egocêntrico vê o outro como mercadoria emocional, e a sua capacidade de amar é tão superficial quanto as suas intenções.
Para reconhecer esse ego, é preciso a lucidez de observar ações, e não promessas. Quem ama valoriza a presença, a conexão, o respeito. Não faz da conquista um troféu, mas um compromisso de jornada. E para ver isso é preciso a clareza de quem não se deixa seduzir pelo brilho das aparências.
Não se trata de odiar ou desprezar esse ego. Ele age conforme o nível de consciência em que está preso, e só encontrará paz quando aprender a olhar para o outro com reverência, e não com utilitarismo.
Uma relação verdadeira é aquela em que duas pessoas se encontram para compartilhar, e não para sugar. Mas isso exige paciência e uma autoconsciência afiada.
O amor autêntico é raro, não porque não existam homens capazes de amar, mas porque muitos ainda não aprenderam a transcender o próprio ego consumista.


