Aquilo que retemos por medo
Nós gostamos de acreditar que estamos no comando. Organizamos nossos dias, antecipamos as crises e carregamos o peso das nossas responsabilidades como se o mundo fosse parar de girar caso soltássemos as rédeas por um segundo. Construímos a nossa segurança sobre a ilusão do controle. Mas então a vida pesa, o cansaço cobra a conta, e somos forçados a encarar uma verdade amarga: por nós mesmos, não conseguimos sustentar a arquitetura da nossa própria existência.
É exatamente nesse ponto de exaustão, quando as nossas certezas ruem, que o conselho do Salmo 37:5 nos confronta: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e Ele tudo fará.”
Entregar o caminho não é pedir que Deus segure a nossa bagagem enquanto tomamos fôlego para, logo em seguida, pegar tudo de volta. É um ato de abdicação. É abrir mão do volante. É entregar os nossos projetos e ambições, e principalmente aquilo que nos aterroriza: as nossas incertezas, o medo do fracasso, a angústia crônica.
A ansiedade, no fundo, é o nosso ego lutando para não perder o controle. É a nossa recusa em aceitar que não somos autossuficientes. Quando nos apegamos a ela, estamos tentando ser deuses do nosso próprio amanhã.
Essa entrega total não é romântica. Ela dói. Exige a demolição do nosso orgulho. Cristo não nos convida a confiar a Ele apenas os problemas insolúveis, enquanto mantemos o domínio sobre as áreas onde nos achamos competentes. A exigência dEle é a totalidade.
Aquilo que retemos por medo é, invariavelmente, aquilo que nos escraviza.
O verdadeiro descanso não nasce da ausência de problemas, mas da certeza de quem está governando a rota. Quando jogamos o nosso fardo nas mãos do Eterno, não estamos apenas buscando um alívio psicológico; estamos praticando a forma mais profunda de adoração. É admitir, de uma vez por todas, que Ele é Deus e nós não somos.


