Spagnal
Ao adentrar aquela rua de paralelepípedos banhada em tons de amarelo e alaranjado, tingida pelo barro que sangrava da encosta de pedra à direita, senti a espinha vibrar. Foi ali, na quebrada exata entre a saída da Vila Batista e a entrada de Pedra dos Búzios, que o fascínio me tomou de assalto.
Fizemos a travessia a pé, eu e meus pais, caminhando em direção ao que seria o nosso novo lar. E fomos tateando cada vez mais fundo, engolidos pelo ponto onde a calçada minguava até a rua se estrangular, definitivamente, num beco.
Foi lá, na profundidade daquele corredor de pedra e barro, que ouvi pela primeira vez a palavra Spagnal.
O som bateu nos meus ouvidos de menino não como um nome comum, mas com o peso de um clã e a aspereza de um sobrenome antigo. Eu não sabia o que significava.
Continuo não sabendo.


