Seria alienação?
Desde os tempos mais remotos, os homens experimentaram a presença de Deus. Os primeiros homens, imersos em um mundo inexplorado e indomável, eram profundamente religiosos. Diante das forças da natureza, as chuvas, os trovões, o brilho do sol, o mistério da lua e das estrelas, o homem primitivo sentia algo além de si, algo grandioso e inefável, e reverenciava essa força superior.
O homem moderno parece ter perdido esse contato direto com a natureza. Vivendo em cidades de concreto, isolado pela tecnologia e pelas preocupações imediatas, sua sensibilidade diminui. O que antes era uma ponte para o divino, para o mistério, tornou-se um cenário indiferente.
Não nos propondo ao panteísmo, mas ao reconhecimento: a natureza revela a beleza de Deus e desperta em nós a gratidão. Embora aceitemos a evolução, afirmamos a intervenção divina que molda e sustenta essa criação em constante movimento. Negar a mão de Deus seria transformar tudo em mero acaso, algo aleatório e sem propósito.
O próprio Cristo usou a natureza para nos ensinar. Quando Ele apontou para as aves do céu e os lírios do campo, mostrava que a criação é um reflexo de algo maior, uma trilha que nos leva ao Pai. “Olhai as aves que voam no céu; não semeiam o grão nem colhem, nem acumulam a colheita nos celeiros; pois o vosso Pai celeste lhes dá de comer” (Mateus 6:26).
No entanto, a vida moderna nos empurra para preocupações vãs e consumismo. A cada dia, as inquietações se acumulam: a fome e as guerras pelo mundo, a escassez de recursos, a inflação crescente, a corrupção, a poluição, as doenças, as desigualdades. Em meio a tudo isso, parece uma loucura parar para contemplar flores. Olhar para os lírios em meio a tanta desordem não seria alienação?
Quando esteve entre nós, Jesus conhecia perfeitamente os graves problemas da humanidade. Ainda assim, Ele escolheu ensinar com as aves e as flores.
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