Você é importante
Eu tinha catorze anos quando alguém me entregou a chave: “Você é importante.”
Três palavras banais em sua estrutura. Não foram meramente escutadas: arrombaram as portas da minha percepção e instalaram-se no centro do peito, pulsando com a urgência de uma vida que, de repente, descobre que tem o direito de existir.
Foi como se a abóbada do mundo se rasgasse. Fui tomado por uma alegria assustadora e vital, que brotava de uma nascente quase secreta e rapidamente assumia a força de um rio. E percebi as lágrimas transbordando, uma torrente que não lavava apenas o rosto adolescente.
Aprendi ali a recusar a sobrevivência morna, a tatear o milagre escondido nas miudezas.
Guardo esse fragmento de tempo com a nitidez do agora.


