Filosofia & Teologia
A Lente Investigativa e Espiritual. Profundidade, sentido, rigor acadêmico. Aqui reside a sua busca pela verdade, pelo sentido e pelas bases do pensamento humano e divino. É o seu espaço de maior densidade teórica. Abarca seus papéis de: Filósofo, Teólogo e Pesquisador. O que entra aqui: Ensaios sobre epistemologia, análises éticas, estudos teológicos aprofundados, recortes da sua pesquisa acadêmica de doutorado e reflexões sobre a condição existencial humana.
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A curiosidade me governava
Serei eu capaz de redigir a minha própria justificação diante de Deus? Essa interrogação ecoa em mim hoje com uma gravidade que a inocência da infância jamais comportaria. Na aurora da vida, a santidade parecia desprovida de mistérios. A lógica era exata, quase matemática: bastava não ceder ao erro explícito, seguir as regras do jogo e manter a postura. Para a mente de um menino, o pecado era apenas uma falha de cálculo, uma fraqueza evitável pela força de vontade. Mas o tempo é o grande corruptor das certezas infantis, e traz consigo desvios de rota tão sutis que beiram a invisibilidade. Fui sempre movido por um fascínio visceral pelo…
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Alforria
Quantos já morreram por um amor? E quantos, de fato, morreram pelo Amor? A finitude e o afeto entrelaçam-se em uma dança antiga que desafia o relógio e as frágeis certezas do mundo. Paradoxalmente, o ato de morrer é parte da própria existência: é um processo doloroso de transformação, uma poda rigorosa que carrega no cerne a promessa de um recomeço. A cada instante, de alguma forma, todos nós morremos um pouco. Despedimo-nos daquilo que fomos para abrir espaço àquilo que fomos chamados a ser. Mas a pergunta que ecoa no silêncio é outra: será que já morremos verdadeiramente para tudo aquilo que nos esvazia? E, se não, para o…
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O terceiro caminho
Começo com uma interrogação que provavelmente já assaltou a sua mente mais de uma vez: o que devo escolher? Enfrentar uma encruzilhada, onde as trilhas se multiplicam diante de nós, é mais do que uma questão de direção física. É um convite à auditoria dos nossos desejos, da nossa fé e da nossa disposição em entregar a decisão ao Divino. Quando estacionamos diante de uma bifurcação, descobrimos que não temos duas opções, mas três: dobrar à esquerda, dobrar à direita ou permanecer exatamente onde estamos. O imobilismo é o nosso terceiro caminho. A indecisão é um terreno árido onde as dúvidas germinam, onde o pavor do erro nos engessa. E…
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Marcha à ré
A exortação apocalíptica para voltar ao primeiro amor não é apenas uma reprimenda: reflete um anseio da própria alma por reviver o assombro dos primeiros passos na fé, um tempo em que a devoção era pura e despida de burocracias. Mas o caminho de retorno não é um passeio nostálgico. É um percurso que exige a coragem de auditar, rever e, muitas vezes, reescrever os capítulos que nós mesmos negligenciamos. Essa revisão do passado costuma nos assaltar à revelia. Na quietude da noite, quando as engrenagens do mundo param de girar, somos capturados por um cinema interno. O passado projeta-se na mente, obrigando-nos a revisitar cenas, falhas e assombros antigos.…
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Um peito frio
Éfeso, a metrópole pulsante da Ásia Menor, erguia-se com uma grandiosidade que transcendia a sua posição geográfica. A cidade era o berço de um dos maiores assombros da antiguidade, o colossal santuário dedicado a Ártemis, que os textos latinos chamariam de Diana. Entre as suas colunas de mármore e os ecos da sua opulência econômica, respirava-se uma cultura profundamente imersa no paganismo. Foi exatamente no epicentro dessa escuridão que o Senhor decidiu encravar uma das Suas comunidades mais influentes. Durante a sua segunda viagem missionária, Paulo vislumbrou o potencial daquele ambiente hostil: onde o paganismo abundava, o Evangelho poderia superabundar. Fundou, e mais tarde pastoreou por três anos ininterruptos, uma…
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A flecha e o eco
O relativismo transformou a verdade em uma commodity maleável, uma mercadoria intelectual adaptada ao sabor das ideologias da vez. Em nosso tempo, ela foi rebaixada a opinião passageira: uma construção estética e cultural que varia de grupo para grupo, e da qual cada um toma o que lhe convém. Se assumirmos, porém, que Cristo não apenas diz a verdade, mas é a Verdade, todo esse castelo de cartas desmorona. A declaração “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” não negocia. Se Jesus é a Verdade, ela permanece inalterada e soberana, independente do consenso ou da discordância das multidões. Ela não é um cardápio do qual escolhemos o que…
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A mente é a lavoura
Por que a falha moral existe e insiste? Essa interrogação ecoa no íntimo de todos que anseiam trilhar o caminho da retidão. Mesmo munidos da intenção mais sincera de espelhar o caráter de Cristo, somos frequentemente assaltados por inclinações que nos desviam da rota. Trava-se, no silêncio do cotidiano, uma guerra entre o desejo de encarnar os valores eternos e as investidas da queda, que se infiltram na rotina com a sutileza de um veneno inodoro. A transgressão é sagaz e oportunista. Mapeia pequenas brechas para lançar as suas raízes. Em sua essência, o pecado não é primariamente uma ação pública, mas uma ruptura íntima com a pureza de propósito.…
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A estética do assombro
Em Mateus 18, diante da pergunta sobre quem seria o maior no reino dos céus, Jesus coloca uma criança no meio dos discípulos e diz que é preciso tornar-se como ela. O sentido primeiro é humildade: o menino é pequeno, dependente, não tem posição a defender. Mas há uma segunda coisa naquela criança, e é dela que quero falar. A infância carrega uma capacidade ilesa de assombro. É a virtude de não domesticar o olhar, de enxergar em cada instante uma fenda para a descoberta. Ser como uma criança é declarar guerra à banalidade e recusar a cegueira diante do comum. O relato de um colega sobre uma viagem de…
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Realidade de isopor
Kant nos ensina que a coisa em si repousa oculta, inacessível à nossa compreensão. O que tateamos não é o ser essencial, mas as suas aparências fenomênicas, as representações que a mente é capaz de processar. A nossa época tomou emprestada essa palavra, aparência, e a esvaziou. Em Kant, ela nomeia um limite do conhecimento. No ditado que rege os nossos dias, “o que importa não é ser, é parecer”, ela nomeia uma preferência moral. O que era constatação de fronteira virou permissão. Transitamos por um mundo onde a vitrine foi divinizada. O que é visível, embalado e interpretável pelos sentidos assumiu o trono, enquanto aquilo que de fato existe…
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Ler, ouvir e guardar
“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.” (Apocalipse 1:3) O Apocalipse é um dos territórios mais insondáveis das Escrituras. Mais do que um compêndio de mistérios escatológicos, é a revelação de Deus sobre o que foi, o que é e o que está por vir. Cada versículo carrega não o peso do medo, mas a promessa de edificação e de consolo. E, logo na abertura, o texto convoca a três posturas: ler, ouvir e guardar. O primeiro verbo chama à felicidade que brota do contato direto com a Palavra. A leitura bíblica…




























